MEU PAÍS DESGRAÇADO, de SEBASTIÃO DA GAMA

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(1924 - 1952)
(1924 – 1952)

 

Meu País Desgraçado, de Sebastião da Gama

 

 

 

Meu país desgraçado!…
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas …

 

Meu país desgraçado!…
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

 

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

 

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

 

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

 

Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

 

 

 

1 Comment

  1. *Poema que rasga a alma -obrigada Maria *

    No dia 9 de Outubro de 2014 às 09:00, A Viagem dos Argonautas escreveu:

    > joaompmachado posted: ” Meu País Desgraçado, de Sebastião da Gama > Meu país desgraçado!… E no entanto há Sol a cada canto e não há Mar tão > lindo noutro lado. Nem há Céu mais alegre do que o nosso, nem pássaros, nem > águas … M”

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