CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – “QUE PAZ, A DO PRÉMIO NOBEL?” – por Mário de Oliveira

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Decididamente, a Academia sueca que atribui os prémios Nobel vai de mal a pior. Os prémios podem ser muito cobiçados pelas quantias em dinheiro envolvidas e pela efémera projecção mundial dos laureados que, para sua vergonha, aceitam entrar neste jogo. Tudo o mais é lixo, que é o que etimologicamente significa o substantivo vaidade. Está, pois, na hora de mudarmos de postura, frente a esta perversão instituída, onde o inimigo Dinheiro é rei e senhor, e os membros da Academia, um conjunto de individualidades estéreis, eunucos, plantados lá em cima, num suposto limbo, de onde olham para os povos das nações, como manadas e manadas de imbecis, à excepção de uns quantos, muito poucos, precisamente, os laureados por eles. Os povos saem sempre a perder, quando uns poucos são aclamados vencedores, heróis, santos, génios. É como se, de repente, acontecesse um apagão, à escala planetária e os seres humanos, como um todo, desaparecessem. Os prémios Nobel têm este letal condão. Por momentos, deixa de haver milhares de milhões de vítimas, de empobrecidos, de meninas, meninos da rua, de exploração do trabalho infantil, de sem-terra e sem-tecto, de desalojados e assassinados pelas guerras. O prémio Nobel da paz 2014 é o exemplo mais acabado do que acabo de escrever. Os grandes meios de informação/alienação das populações, todos propriedade dos grandes grupos financeiros que, dia e noite, fabricam pobreza e pobres em massa, desigualdades sociais inomináveis, sofisticadas armas de destruição maciça, sucessivas guerras, novos vírus e novas doenças, destruição do ambiente e das mentes humanas, pegam numa prendada adolescente do Paquistão, vítima de um talibã, como tantas outras muito mais empobrecidas do que ela, enchem-na de prémios e de donativos em dinheiro destinados a uma fundação com fins caritativos e, por fim, atribuem-lhe o Nobel da paz. E assim, os mesmos grandes grupos financeiros, donos desses grandes meios, podem continuar a produzir mais e mais armas, mais e mais guerras, mais e mais pobreza e pobres em massa, que ainda passam por benfeitores, quando são os maiores criminosos e os maiores pecadores do planeta.Alerta! Se não vemos assim as coisas, é porque eles já nos cegaram de vez!

11 Outº 22014

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