Só o próprio é que ainda não percebeu que já está politicamente morto. A sua total ausência de explicações sobre o que efectivamente se pessou na Tecnoforma, quando era deputado em regime de exclusividade no Parlamento, agravada com o desaparecimento de registos que “falem” sobre como os dinheiros da ONG por ele criada entravam e saíam, constitui a sua morte política. Para cúmulo, Passos Coelho passou de deputado em regime de exclusividade a primeiro-ministro. E já leva quase 4 anos de mandato, a fazer crer, contra ventos e marés, que é um governante impoluto e acima de qualquer suspeita. Apesar de ter passado toda a campanha eleitoral que lhe deu a vitória nas últimas legislativas e, com ela, o lugar de primeiro-ministro de um Governo de maioria, em coligação com o maquiavélico Paulo Portas – ou será que já se não lembra?! – a prometer umas coisas e, logo depois, a fazer outras. Passos Coelho bem pode alegar que a denúncia foi anónima e que as provas avançadas pelos órgãos de informação são inconclusivas. A verdade é que, na medida do tecnicamente possível, são fundamentadas. Quem nada diz, por já se não lembrar – mas que memória política tão selectiva, a sua, senhor primeiro-ministro! – é o próprio visado. Por muito menos, o secretário de Estado da Educação acaba de deixar o lugar, depois de se ver acusado de plágio por um matutino, tido como um dos mais bem fundamentados. Não quis, ao que disse, na hora da saída, manchar ainda mais o já mais que manchado, desacreditado, cansado, desmotivado, derrotado Governo, que só mesmo o solitário Passos Coelho parece apostado em levar ao fim da legislatura, num sadomasoquismo político sem precedentes. Seria bom que alguém lhe recordasse que o seu vice primeiro-ministro já foi jornalista e, quando director de “O Independente”, quase todas as semanas abatia um membro do Governo do agora PR, Aníbal. Cá se fazem, cá se pagam. Ah! E que lhe recordassem também que, no poder político, quem faz um cesto, faz um cento. Só que agora o alvo político a abater é ele, o primeiro-ministro. Ou será que também já se não lembra de que o ressentimento político não perdoa, não esquece e mata?!
23 Outº 2014

