Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
7. Quais são as sociedades que ainda abrem fábricas em França?
Denis Cosnard, Quelles sont les sociétés qui ouvrent encore des usines en France ?
Le Monde e Observatoire Trendeo, 3 de Abril de 2014
Certamente que visto dos Estados Unidos, implantar uma fábrica em Sury-le-Comtal não tem nada de evidente. “Sury what? ” Porque escolher esta comuna da região de Loire, a 25 Km de Saint-Etienne? Porquê estar-se até a investir em França?
“Aos olhos dos Americanos, havia aqui muitas coisas desfavoráveis”, reconhece Lieven Malfait, o Belga que preside à Unilin Insulation. E enumera “os constrangimentos de ambiente, as 35 horas, o custo elevado do trabalho, a baixa das novas construções …”
Mas os homens de Unilin defenderam a sua causa. O mercado do isolamento vai fatalmente crescer em França, explicou. E para lhe responder, é indispensável estar já no local: as placas de poliuretano de que eles são os especialistas não se vendem para além de 500 quilómetros em redor do seu local de produção.
Mohawk, o accionista americano de Unilindeu, por conseguinte, deu luz verde e a fábrica saiu da terra. Um longo paralelepípedo cinzento no meio da erva verde. Em rodagem desde há alguns meses, devia ser inaugurada quinta-feira 3 de Abril. Melhor ainda: após este investimento de 24 milhões de euros, que deveria criar uma cinquentena de empregos, a sociedade tomou uma opção de 4 hectares suplementares para uma extensão. Champanhe!
139 Novas fábricas são anunciadas em França
Em plena crise, enquanto a França conhece uma fase de desindustrialização acelerada, novas fábricas continuam a florescer. Em Sury-le-Comtal. Mas também em Montataire (Oise), onde Exa-Air abriu, no dia 1º de abril, uma unidade de embalagens ultra-resistantes. Ou ainda em Sassenage (Isère). Biossun, uma outra PME, deve inaugurar dentro de quinze dias uma unidade fabril de pergolas.
Num ano, de Abril de 2013 ao fim de Março de 2014, cerca de 139 criações de fábricas foram anunciadas na França, às quais se acrescentam 284 extensões de sítios, de acordo com os recenseamentos efectuados pela sociedade Trendeo. O seu número é mais ou menos estável desde o início da crise, desde o final de 2008.
“Nota-se uma muito ligeira retoma desde meados de 2013”, afirma David Cousquer, de Trendeo. Sem dúvida um efeito da melhoria das perspectivas de produção assinalada pelo Insee. Em 2009, quando tudo desabou, Samson, um fabricante alemão de válvulas industriais, por exemplo, tinha congelado um projecto de extensão do seu sítio de Vaulx-en-Velin (Rhône). Foi relançado em 2012. As novas salas serão inauguradas a 11 de Abril.
“PARA DUAS FÁBRICAS QUE DESAPARECEM, SÓ UMA É CRIADA”
Estes investimentos estão muito longe de compensar os encerramentos. “Por cada duas fábricas que desaparecem, só uma fábrica é criada”, constata Cousquer. A França permanece considerada pelos investidores como um país razoavelmente propício à produção da indústria transformadora. Situa-se no vigésimo lugar à escala mundial neste domínio, longe atrás da Malásia, da China ou da Rússia, de acordo com a classificação revelada em Março pela sociedade de imobiliário Cushman & Wakefield.
O Hexágono mantém no entanto certas vantagens. “É um país rico, no meio da Europa, sem grande risco, e dispondo de boas infra-estruturas”, detalha o PRESIDENTE de uma multinacional. Daí que atraia ainda certos investimentos, em especial por parte das PME e das empresas de dimensão intermédia, frequentemente familiares. São elas que impulsionam a criação de empregos.
Mas as criações e as supressões não têm lugar nos mesmos sectores nem nas mesmas regiões. De modo que é uma nova França industrial que se está a desenhar. Uma França ligeiramente enfezada, cujo centro de gravidade se desloca para o Sudoeste.
DESENVOLVIMENTO DA AERONÁUTICA E DA INDÚSTRIA DE BENS DE LUXO
Com 93 novos sítios desde 2009, a região Pays de la Loire estão à frente das regiões que atraem indústrias , Rhône-Alpes e a Aquitânia, de acordo com Trendeo.
Em relação à base industrial da zona , a região Midi-Pyrénées é a que se sai melhor. É a única onde, desde 2009, os industriais anunciaram tantas criações como supressões de empregos. Por toda a parte, aliás, o declínio está a funcionar. Em especial em Haute-Normandie, Picardia e de Champanhe-Ardenne, onde apenas um emprego é criado por cada três que são suprimidos.
A crise parece ter amplificado um fenómeno mais antigo. Entre 1999 e 2010, “mais de 80% das bacias de empregos metropolitanos perderam empregos industriais”, observa Mouhoub Mouhoud, professor de Economia em Paris-Dauphine, que analisou esta evolução num relatório feito a pedido do governo. Os mais atingidos estavam já “ sobretudo localizados acima duma linha que ligar Le Havre e Marselha”, refere este economista. Pelo contrário, as zonas dinâmicas situam-se geralmente ao Sul e a Oeste.
Esta deslocação regional está em parte ligada ao desenvolvimento da aeronáutica, a indústria que, com a de produção de bens de luxo, se tem desenvolvido nestes últimos anos. Toulouse, Nantes e Saint-Nazaire devem pois muito a Airbus e aos seus fornecedores. Pelo contrário, os desaires do ramo automóvel prejudicaram fortemente os subúrbios parisienses.
A região Ile de França é a que mais sofre
A região de Ile-de-France é, pelo menos no papel, a região onde a indústria regride mais. Contudo, nem tudo está perdido. Um exemplo? Septodont, o rei dos anestésicos utilizados pelos dentistas. Esta empresa familiar, que domina o mercado mundial, porá no dia 17 de Abril a primeira pedra de uma nova unidade sobre o seu sítio de Saint-Maur-des-Fossés (Val-de-Marne). Um projecto de 25 milhões de euros. Cerca de 90%, da produção será exportada.
Uma fábrica em plena cidade, um sítio antigo onde se entrecuzavam quase quinze prédios, desde a velha casa burguesa ao pré-fabricado: “Se nós pertencêssemos a um grupo americano seria muito improvável que o investimento fosse realizado na França”, sobretudo num lugar como este, admite Olivier Schiller, o presidente de Septodont. “Mas nós, nós nem sequer nos colocámos essa questão…”
Para o neto do fundador, era evidente querer permanecer sobre este local. “As nossas unidades de fabrico estão sujeitas a normas muito rigorosas e inspeccionadas pelas autoridades de saúde do mundo inteiro, sublinha Schiller. Isto constitui uma barreira forte que limita a concorrência dos países emergentes. É também por isso que podemos continuar a produzir aqui.
A escavadora começou depois a cavar. Tendo o cuidado de poupar uma velha árvore, plantada, diz-se pelo fundador do grupo. Nada de tocar nas raízes do grupo!
Denis Cosnard, Quelles sont les sociétés qui ouvrent encore des usines en France?, Le Monde e Observatoire Trendeo
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Ver o original em:
http://www.lemonde.fr/economie/article/2014/04/03/ces-societes-qui-ouvrent-encore-des-usines-en-france_4394793_3234.html



