AS MINHAS AUDAZES PREVISÕES PARA OS PRÓXIMOS DEZOITO MESES – por KEVIN DRUM + declarações de BARACK OBAMA

Falareconomia1

Selecção, tradução e montagem de Júlio Marques Mota

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As minhas audazes previsões param os próximos dezoito meses

 

Kevin DrumMy Fearless Predictions for the Next 18 Months

Site Mother Jones, 6 de Novembro de 2014

Kevin Drum - IFanatic Studio/Thinkstock; Pete Marovich/ZUMA; Dennis Van Tine/ZUMA

Nós estamos cansados de andar a ouvindo paleio e mais paleio ao longo desta semana sobre a hipótese de que talvez com esta eleição se  tenha enviado, finalmente, uma mensagem a Washington de que a população quer o governo a trabalhar, simplesmente isso. O compromisso está na ordem do dia. Os republicanos precisam de mostrar que podem governar. Obama precisa de mostrar que pode ser flexível.

Meh. Eu não vejo o que é que nos levar a pensar assim. Mitch McConnell levou seis anos a obstruir tudo o que lhe fosse possível, e não há nenhuma razão especial para pensar que agora a situação vai mudar. John Boehner passou os últimos quatro anos numa tentativa completamente inútil de fazer os seus Tea Party ganharem algum juízo e não há nenhuma razão para pensar que repentinamente descobre como conseguir fazê-lo. O Presidente Obama levou dois anos convencido que a acção do Executivo é somente a esperança de conseguir fazer alguma coisa e não há muita razão pensar que mudou a maneira de pensar quanto a isto. Quanto às pessoas estas não querem compromissos. Querem que o outro lado ceda, querem que resulte. Nada mudou então.

Por outras palavras, o controle do Senado pode ter mudado de mãos, mas os fundamentos subjacentes da política de Washington mal se mexeram. Com isso em mente, estão aqui as minhas previsões sobre o que tem e não tem possibilidade de acontecer durante os próximos 18 meses:

Reforma fiscal: Esqueça-a. Todas as linhas habituais de falhas estão ainda presentes. De facto, com os grupos de trabalho dos republicanos agora mais conservadores e os grupos de trabalho dos democratas agora mais liberais, as linhas habituais de falha são mesmo bem mais profundas do que nunca. A reforma fiscal é então uma impossibilidade, não vai arrancar

Reforma sobre imigração: Esqueça-a. Ver acima

Keystone Pipeline System: Tudo depende se Obama se preocupa realmente com ele. Nunca estive seguro disto. Mas a minha opinião é a de que ele não se vai preocupar muito com isso e, assim, se houver necessidade de algum acordo sobre o orçamento que exija a sua autorização para a construção do pipe-line, a sua realização pode ser razoavelmente provável.

Acordo comercial: Este parece muito possivelmente realizável. De resto a oposição tem vindo fundamentalmente dos Democratas.

A revogação do mandato de Obamacare: Esqueça.

Emendas a Obamacare: Uns arranjos marginais poderão ser possíveis. O mandato do empregador, por exemplo, nunca foi um pilar na lei, e não incomodaria muito livrarem-se dele. Idem quanto ao imposto sobre o material para fins médicos. Mas isso é sobre Obamacare.

Revogação das regulações de Obama sobre o meio ambiente. Esqueça.

Executivo/ nomeação dos juízes: Isto ir-se-á arrastando. É uma boa coisa, que os Democratas tenham morto o filibusteiro quando o fizeram.

A questão do tratado nuclear com o Irão: isto é na verdade difícil de prever em parte porque eu não estou certo em (a) como é que Obama poderá avançar sem a autorização do Congresso, e (b) se o Irão é sério sobre a primazia de um acordo. Embora como hipótese, o Congresso pôde muito bem decidir travar os trabalhos de negociação o que mataria toda a possibilidade de um tratado. Um grupo dos novos senadores republicanos, combinados com a existente pressão feita por Israel, poderia ser o suficiente para fazer aqui uma diferença real.

Assim é como vejo as coisas. Estas são pois as minhas previsões. Será que esqueci qualquer coisa de muito importante ?

POSTSCRIPT: Oh, e os candidatos às presidenciais em 2016 para a Presidência serão Hillary Clinton pelos Democratas e Scott Walker pelos Republicanos.

Kevin Drum, Site Mother Jones, My Fearless Predictions for the Next 18 Months, Novembro de 2014.

Texto disponível em:

http://www.motherjones.com/kevin-drum/2014/11/my-fearless-predictions-next-18-months

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Dias depois deste texto publicado em Mother Jones, escrevia Obama aos seus apoiantes:

The hardest thing in politics is changing the status quo. The easiest thing is to get cynical.

The Republicans had a good night on Tuesday — but believe me when I tell you that our results were better because you stepped up, talked to your family and friends, and cast your ballot.

I want you to remember that we’re making progress. There are workers who have jobs today who didn’t have them before. There are millions of families who have health insurance today who didn’t have it before. There are kids going to college today who didn’t have the opportunity to go to college before.

So don’t get cynical. Cynicism didn’t put a man on the moon. Cynicism has never won a war, or cured a disease, or built a business, or fed a young mind. Cynicism is a choice. And hope will always be a better choice.

I have hope for the next few years, and I have hope for what we’re going to accomplish together.

Thank you so much.

Barack Obama

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