EDITORIAL –  OS LIMITES DO PODER

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Lemos no Diário de Notícias, que a CSU (Christlich-Soziale Union), um partido alemão da Baviera, de orientação conservadora, que se pretende próxima da democracia-cristã, e tradicionalmente próximo da CDU (Christlich-Demokratische  Union) de Angela Merkel, pretende impor aos imigrantes que falem alemão, até em casa com a família. Tal iniciativa dever-se-á a temer a concorrência de outro partido político, abertamente anti-imigração, o AfD (Alternative für Deutschland), eurocéptico e conservador, fundado em Fevereiro de 2013. Entretanto, será de ter presente que a CSU governa a Baviera, um estado com mais de 12 milhões de habitantes, praticamente desde a Segunda Guerra Mundial, a maior parte do tempo com maioria absoluta.

Tem havido mais notícias sobre as restrições (para não falarmos agora das perseguições) que os imigrantes têm sofrido na Alemanha. Contudo, é sabido que o seu número é bastante elevado, que a sua proveniência é variada, e que o contingente mais numeroso são os turcos. É geralmente reconhecido que têm dado um grande contributo para o crescimento económico do país onde estão. A Alemanha está extremamente envelhecida, mais do que Portugal. Não serão precisos muitos dados para perceber que os imigrantes ali desempenham um papel importante, para o equilíbrio das contas, e para a demografia.

As manifestações de xenofobia são condenáveis em qualquer aspecto. Mas esta pretensão da CSU merece uma particular atenção. E condenação total. Não nos venham dizer que é um problema alemão. Ao fim e ao cabo, ainda há pouco tempo ouvimos a Senhora Merkel dizer que temos licenciados a mais. Mesmo que fosse verdade que temos licenciados a mais (não temos, não temos é empregos para eles, sobretudo por causa da austeridade que a Senhora impôs), as pessoas têm o direito de tentar obter os graus de educação a que aspiram. E se nos querem na União Europeia, temos o direito de dizer que os imigrantes, em qualquer país, da União Europeia e fora dela, têm o direito de continuar a falar a sua língua natal, que é um elemento essencial da constituição da personalidade e de integração na sociedade, e de a transmitirem aos filhos. Trata-se de um direito humano básico.

Propomos que vão a estes links:

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4283202

http://www.publico.pt/mundo/noticia/conservadores-da-bavaria-querem-restringir-acesso-dos-novos-imigrantes-a-seguranca-social-1618218

 

 

 

 

 

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