CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – UM PADRE NA CASA DO ALENTEJO? – por Mário de Oliveira

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Hoje, a partir das 18,30 horas, vou intervir na emblemática Casa do Alentejo, em Lisboa. Muitas pessoas poderão estranhar e interrogar-se, Um padre na Casa do Alentejo?! A que propósito? O lugar dos padres não é nas paróquias, nos templos e santuários, nos altares? Acontece que sou, por opção, um padre no mundo, entre as pessoas e com elas, num vivo tu-a-tu humano e sororal, sem nada de religioso, tudo de politicamente maiêutico. Sou padre/presbítero jornalista, longe dos templos e dos altares. Faço da palavra praticada, escrita, falada e, bastantes vezes, cantada, o meu ministério. Para tanto, tive de me libertar progressivamente do clericalismo e do religioso, em que os 12 anos do seminário tridentino me quiseram formatar. Constato, cada dia que passa, que esta libertação foi, é, boa para mim, como ser humano, filho de Ti Maria do Grilo, jornaleira, e boa para a humanidade. Felizmente, dei-me conta, um ano antes da ordenação em 5 de Agosto de 1962, de que um presbítero da igreja é ordenado para ser presença maiêutica e gratuita na sociedade/humanidade, não para ser um funcionário do institucional eclesiástico. Só assim, posso ser aquela dádiva viva que, desde menino, desejava ser entre os demais e com eles, num contínuo dar e receber, que nos faz a todos crescer de dentro para fora em humano. De contrário, hoje seria um refém do institucional eclesiástico, mero funcionário contratado por ele, um agente mais de alienação das populações, quanto mais dedicado e zeloso, pior. Aliás, todo o funcionário de qualquer institucional nunca chega a crescer de dentro para fora em humano, nem deixa crescer os demais. Pelo contrário, submete-os e impede-os de crescer. É o que acabam por fazer, ter de fazer, todos os agentes do poder, sob pena de serem advertidos, punidos e, por fim, excluídos. Pois bem, é assim, como presbítero jornalista, com tudo de menino, que vou estar, ao final da tarde de hoje, na Casa do Alentejo. A cantar à capela algumas das 366 Quadras e alguns dos muitos Cantos-Poema com que se tece o meu mais recente Livro, editado pela Seda Publicações. Até logo.

13 de Dezº 2014

 

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