Selecção, condensação e tradução por Júlio Marques Mota
O fornecimento de energia electrica da França ameaçado em 2016-2017
Jean-Michel Bezat, Electricité : pourquoi l’approvisionnement de la France est menacé
Le Monde.fr, 10 de Setembro de 2014
Haverá electricidade este inverno na França nas horas de ponta mas a situação corre o risco de se tornar muito mais tensa em 2016 e 2017. É “a mensagem de alerta” que a Rede de Transporte da Electricidade (RTE), sucursal de EDF, encarregada de gerir as linhas de alta tensão e de assegurar o equilíbrio oferta-procura em tempo real, lançou, na quarta-feira 10 de Setembro, no seu balanço previsional para o horizonte 2019.
Este balanço faz com efeito aparecer “uma degradação da segurança de abastecimento eléctrico em França durante os invernos que vão de 2015 à 2018”, com um período de ponta durante do inverno 2016-2017. Faltaria então 2.000 megawatt (MW) de capacidade de produção.
Paragem de dois reactores nucleares
Num contexto de fraco aumento da procura de corrente ligada à crise económica e aos primeiros efeitos das políticas de eficácia energética, a França vai perder potência eléctrica.
Desde o início de 2016, as centrais ao carvão e ao fioul deverão fechar porque deixam de responder às normas ambientais europeias.
RTE conta também sobre a paragem, fim 2016, dos dois reactores nucleares de Fessenheim (Bas-Rhin), compensados um ano mais tarde pela colocação em serviço do EPR de Flamanville (Mancha).
Em teoria, a França não pode ter falta de electricidade, ainda que possam haver cortes pontuais de carga. RTE exclui praticamente qualquer risco “de black out”. Excepto um acidente como o de 4 de Novembro de 2006 onde 10 milhões de europeus, de que metade eram e Franceses, tinham sido mergulhados na escuridão durante uma parte da noite.
Mas RTE sublinha que, sem as interconexões com as outras redes europeias, a situação seria muito mais difícil, com um défice de 10.000 MW em 2016-2017. Ou seja, a procura de 7 milhões de pessoas.
Porque se a França continua a ser exportadora líquida de corrente ao longo do ano, ela tornou-se estruturalmente importadora no inverno devido ao muito forte desenvolvimento do aquecimento eléctrico.
Para saber mais vá a:
//www.lemonde.fr/economie/article/2014/09/10/menaces-sur-l-approvisionnement-de-la-france-en-electricite_4484941_3234.html#qSdmWIHkCumKP6f4.99



