Raoul Fougax, MANUEL VALLS SERA-T-IL PRÉSIDENT? C’est l’homme idéal pour une «grande coalition».
Revista Metamag, 8 de Dezembro de 2014
O sistema está em vias de deixar de acreditar em Nicolas Sarkozy. O antigo presidente parece ter dificuldade na sua estratégia de reconquista. Este já não seria por conseguinte capaz de travar, a única preocupação do sistema, a subida eleitoral em força da Frente Nacional.
Está-se a desenrolar um fenómeno incrível nos media da comunicação social. Pergunta-se a Marine Le Pen o que é que ela faria se fosse ou quando for presidente. É bem certo, com isto trata-se de a colocar em dificuldade e de a tentar demolir. Mas está-se em vias de se tornar credível e mesmo aceitável este incrível cenário há já alguns meses. Os meios de comunicação social preparam-lhe o terreno e isto quando acreditam que lhes estão a pregar uma boa rasteira.
Alguns começam por conseguinte já a procurar uma estratégia de substituição. A carta Juppé parece muito aleatória. Resta-lhes Valls, que tenta relançar a sua imagem. Pensa poder reivindicar alguns sucessos económicos arrastados por uma inversão de conjuntura. Não quanto ao desemprego certamente, mas este fica a cargo do Presidente. Um pouco mais de competitividade devido à baixa do euro, do petróleo e de algumas mudanças favoráveis às empresas são possíveis. Seria por conseguinte um candidato aceitável da esquerda pragmática, que já renunciou com efeito ao socialismo, até à direita mais próxima do centro que da FN. Poderia ser finalmente o presidente apoiado por uma grande coligação à alemã. Mas isso não será fácil.
Há o presidente que não gosta e vai tentar travá-lo. Há o partido socialista que ou desconfia dele ou o considera um traidor. O centro e a direita não se virarão para ele a não ser que estejam perante a incapacidade de ganharem sozinhos e se as legislativas derem a Valls uma configuração praticável na Assembleia Nacional. O ideal para ele seriam os três grupos sem maioria.
Pode-se sempre sonhar, porque Valls, candidato às presidenciais, poderia provocar uma fractura no PS e suscitar uma candidatura de peso à sua esquerda. Da mesma maneira que Sarkozy poderia ver-se confrontado contra um personagem de peso à direita. Isto faria o jogo de Marine Le Pen que poderia então chegar à cabeça na primeira volta das Presidenciais. Mas se Valls chegar em segundo lugar, terá então à sua frente uma via real para ganhar e impor na corrida umas legislativas que conduzam a uma possível grande coligação.
Então quando diz que irá até ao fim do mandato presidencial de cinco anos, podemo-nos interrogar… e seguidamente ao mandato presidencial de cinco anos pode não ir até ao fim nas eleições departamentais e nas regionais. Mas vai ter que gerir duas derrotas e sobretudo não colocar o chapéu em nenhuma…. Mas Hollande pode querer enfraquecer o seu tão fiel primeiro-ministro.
De momento, o PS acumula insucessos
O cenário é agora bem conhecido, mas surpreende sempre pela sua amplitude. Pela nona vez consecutiva desde 2012, a direita está em vias de lhe ganhar uma legislativa parcial, numa votação marcada por um forte aumento da Frente Nacional e por um desmoronamento do PS. Houve eleições em Oise, em Lot-et-Garonne ou, mais recentemente, no Norte. Este Domingo, é na 3ª circunscrição de l’Aube que os eleitores são chamados às urnas para designar um sucessor de François Baroin, que se tornou senador.
O resultado desta primeira volta está decidido sem apelo nem agravo: o candidato de UMP, Gérard Menuel, assistente em finanças na Câmara municipal de Troyes e suplente de François Baroin desde 1993, obtém 40,76% dos sufrágios. Será confrontado na segunda volta, próximo domingo, ao candidato frentista, Bruno Subtil, o presidente departamental do partido de Marine Le Pen, que obtém 27,64% dos sufrágios. Digamos, são quase 10 pontos a mais do que a votação alcançada pelo seu partido neste distrito aquando da primeira volta das legislativas, em Junho de 2012.
O candidato PS Olivier Girardin afundou-se e não obteve mais do que 14,69% dos votos, ou seja um retrocesso de 14 pontos em relação a 2012. O socialista foi ultrapassado em todos os cantões pela FN, excepto o do Chapelle-Saint-Luc de que é presidente da Câmara Municipal e onde chega à cabeça. É a quarta vez, desde 2012, que o PS é assim eliminado pelo FN e logo à primeira volta.
Valls está sem dúvida cheio de problemas mas não são necessariamente os mesmos que os do PS, um PS que, portanto, com os seus maus resultados eleitorais poderia chumbar as suas ambições e confortar uma estratégia de ruptura.
Raoul Fougax, Manuel Valls sera-t-il président ? – c’est l’homme idéal pour une « grande coalition » : Texto disponível em :
No blog de Metamag seleccionámos um dos comentários ao texto de Raoul Fougax
Por: Robert41 le 09/12/2014
É verdade que este personagem tenebroso não é sereno. Parece habitado, arrastado na sua personalidade como um oportunista. Ontem, era pro-Palestina, hoje, é pró-Israel, enfim…! O que será amanhã? – A França não tem nenhuma necessidade deste personagem cheio de presunção e de capacidade de traição. -Sarkozy e co., já chega! Este catalão frequentemente exibe o seu olhar cínico e provocador em público, pronto para a batalha e que se intensifica num olhar frio, cujo queixo só faz lembrar a insolência. É isto suficiente para conduzir a França? – É um francês recente e não por uma ascendência francesa ou pelo sangue estrangeiro derramado pela pátria. Outras personalidades francesas, de origem estrangeira, merecem melhor do que este personagem cheio de ganância e inquietante. Talvez por isso mesmo , Valls mostra-se com uma exuberância convincente, a parecer mais realista que o rei… Valls está pronto para servir a sua causa. Lembramo-nos da sua intervenção mediática, no caso do humorista Dieudonné, ultrapassando a decisão judicial local por um injusto julgamento administrativo com um único juiz… Será que precisamos de um tal personagem? Uma França minada na sua soberania e enfraquecida por uma política incessante de imigração? Valls é o protótipo, político do nosso tempo, arrojado sem nenhum efeito, ciclope comprometido na sua gestualidade.
Os franceses ainda querem eles um traidor semântico? – Observemos o seu comportamento de caca nervoso, nos seus discursos agressivos e altamente discriminatórios em face de quem não pensa como ele. O diálogo, isso não é com ele, ele não sabe o que isso é. Com ele, é o proibido, é a regressão das liberdades fundamentais. Isso tranquiliza alguns lacaios e de linhagens de interesses. Em qualquer caso, isso não afecta o realista literário, de um Chateaubriand, que quer o Sol para este velho país. Valls é o perfeito arrivista neste novo mundo em marcha, movido por uma enorme ganância, talvez mesmo ancestral, que se articula como um Janus, guardião das portas e das saídas de emergência, abertas ou fechadas, de acordo com o melaço escuro em que tem as suas raízes. É o homem do ódio dos outros. Este indivíduo é perigoso para a França. Que Deus nos proteja deste Torquemada!