Charlie Hebdo. Há que continuar a lê-lo. Para recusar a submissão ao fundamentalismo.
Terrorismo não é o mesmo que religião mas não se pode ignorar quando é invocando o nome de Deus que se aterroriza e mata, quando as religiões e os seus clérigos se propagam como os detentores da única verdade e no seu sectarismo criam o espaço para a acção fanática contra os apóstatas, os infiéis ou crenres concorrentes.
Infelizmente, há atualmente um problema maior com o islamismo. (Outrora foi com o cristianismo, as suas cruzadas e inquisição, as suas fogueiras e escravidão.)
Porque o que permanece mais integrista, por ser o que menos se secularizou. As religiões não secularizadas são fonte de agressão ao outro, ao que é diferente, alimentam-se do dogmatismo e da vontade de imposição da sua crença e (falta de) razão urbi et orbi.
Porque, também por isso, com o clérigo mais medievo e obscurantista e que assenta o seu poder nesse obscurantismo, na negação do conhecimento para os outros.
Porque aquele com maior capacidade de mobilização e sacrifício dos seus seguidores, a um extremo que outros não alcançam, sabendo explorar para o mal as boas razões de queixa contra o ocidente.
Porque os simplesmente crentes no islão não isolaram os sectários e não resistiram à apropriação da sua fé pelo fundamentalismo da guerra santa.
Porque a esquerda, tradicionalmente, por auto-inibição, tem dificuldade em tratar as questões da segurança e da defesa – há mínimos exigíveis – e deixa o terreno livre para a direita xenófoba, que igualmente fundamentalista e exclusiva reforça o “eles” ou/contra “nós”.
Outra coragem é precisa.


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