EDITORIAL – O QUE ESCONDERÁ O CASO CHARLIE HEBDO

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Paul Craig Roberts dizia ontem, no seu site pessoal, que há suspeitas sobre quem estará por detrás dos tiroteios em França (ver terceiro link abaixo). Admite a possibilidade de que se queira pressionar François Hollande, que  tem alinhado com os interesses económicos franceses, em detrimento dos americanos. E também influenciar a Europa no sentido de realinhar com Israel, e não apoiar a causa da Palestina, na medida em que os executores do atentado contra o Charlie  Hebdo, e de outro contra um supermercado judaico, no meio de toda a tempestade emocional desencadeada, serão facilmente confundidos com palestinianos, sobre os quais a propaganda sionista lança sistematicamente acusações de agressão e terrorismo. Acrescentamos que  o primeiro-ministro Netanyahu apareceu em França com um ar de “eu bem dizia”, que permite pensar que, pelo menos, procura tirar partido dos acontecimentos.

Entretanto, na Nigéria, o país mais populoso de África, uma milícia que se auto-intitula como seguidora do islamismo, prossegue uma guerra civil, que tem causado milhares de vítimas, e que decorre há anos, com intensidade crescente. Os sofrimentos causados às populações são enormes. E não se vê fim para eles. No Médio Oriente prosseguem as várias guerras que tem tido muita visibilidade, mas pouca explicação, e menos ainda interesse em lhes pôr cobro, na medida em que os interesses em jogo não parecem ser os da grande maioria da população.

Aqui entre nós, há dias, parece que a deputada europeia Ana Gomes terá relacionado o atentado de Paris com as políticas de austeridade. Foi bastante criticada. Contudo, por nós, achamos que a relação não será muito directa, mas que a há, há. Basta pensar na enorme desagregação social que essas políticas causaram, sem outro objectivo aparente além de salvar bancos mal dirigidos e encher os bolsos a especuladores. Muitos dos candidatos a jihadistas e outras classes de fanáticos são desempregados. É verdade que o desemprego não é a única forma de desintegração social. O racismo, seja ele qual for, também o é. E o fanatismo religioso e o nacionalismo extremado proliferam entre os que o sentem, de um lado ou outro.

Propomos a leitura dos textos acessíveis nos links abaixo:

http://www.lemonde.fr/afrique/article/2015/01/11/boko-haram-la-strategie-du-massacre_4553718_3212.html

http://www.theguardian.com/world/2015/jan/11/child-suicide-bombers-nigeria-market

http://www.paulcraigroberts.org/2015/01/11/suspicions-growing-french-shootings-false-flag-operation/

 

1 Comment

  1. Para além das explicações com cujas comungo parece-me necessário meter medo aos europeus quando as eleições na Grécia ameaçam uma qualquer alteração nesta malfadada união europeia/IVReich.CLV

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