CARTA DE LISBOA – Por um domingo grego que nos ilumine – por Pedro Godinho

lisboa

Uma luz de esperança acendeu-se nas terras helénicas.

O berço da democracia europeia foi, durante anos, capturado por famílias que, alternando no poder, corromperam o exercício da governação fazendo uso pessoal dos bens públicos.

Com a conivência, até incentivo, do sistema financeiro internacional, que facturou largas comissões, sem nada construir gastaram o dinheiro que não havia, aldrabaram as contas nacionais e arruinaram o país, condenando as pessoas comuns a pagarem as suas fraudes.

Para depois, sem pudor, os mesmos, virem dizer aos espoliados que não lhes restava outra alternativa que sofrer e empobrecer para pagar essa dívida.

A estrela do Syriza pode, talvez, ser a oportunidade de mostrar que, mesmo em sistema capitalista, a esquerda pode fazer mais que a simples denúncia e contestação (por mais importante que sejam) e pode fazer diferente, fazendo realmente algo pela melhoria da vida das pessoas.

A esperança que a Grécia faz crescer é a de que as pessoas ainda contam e podem fazer valer o seu voto, sem que a política e a governação estejam pré-determinadas e sujeitas ao arbítrio da vontade imperial pan-germânica.

Assim o queiram os gregos, domingo.

Assim, se vencedora, a nova esquerda não destrua o sonho, enredando-se em disputas intestinas e sectárias, a coberto da reivindicação da representação duma pretensa pureza revolucionária que se transforma apenas em retórica e álibi para fugir à responsabilidade de governar, com os erros e dificuldades que isso acarreta, de construir algo, de tratar do que respeita à vida real da gente comum – não à promessa de paraíso futuro.

Como dizia o outro, ser radical é ir à raíz das questões.

Que a luz se não apague.

1 Comment

  1. O que faz falta é essa radicalidade que o Autor consagrado soube deixar mas que tão mal tem sido aproveitada. O Syriza será a cereja? Sem voltar á moeda nacional e ao direito de cunhá-la vai ser muito difícil conseguir obra asseada.CLV

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