Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
É tempo de eleições na Grécia. É tempo de os povos europeus dizerem não à corda que a todos aperta o pescoço e os asfixia. É tempo de gritarem: Liberdade.
Uma viagem por diversos países é o que aqui vos propomos. Estação de destino, hoje: Bruxelas.
Os cortes de salários e a austeridade chegaram à Bélgica
Ronald Janssen, Wage Cuts And Austerity Have Come To Belgium
Social Europe, 15 de Dezembro de 2014
(conclusão)
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Vejamos agora a questão dos resultados do investimento. As economias podem somente exportar e satisfazer a procura externa se constroem a capacidade para produzir os produtos e serviços destinados à exportação. Sem (suficiente) investimento, não há (suficiente) produção e não há nenhumas (suficientes) exportações. Nesta comparação, a Bélgica volta ao primeiro lugar , volta a ser a “campeã” desta Liga uma vez que o resultado do investimento de seu sector empresarial é ainda excepcional quando comparado ao resto de Europa. A taxa de investimento de Bélgica é mais alta do que a média da zona euro. É na verdade substancialmente mais alta do que os esforços do investimento privado na em Alemanha, o que nos faz ficar espantados sobre o que quer terá acontecido ao slogan bem conhecido ( e surgido na Alemanha) de que a moderação salarial de hoje são os investimentos de amanhã?
Com a produtividade do trabalho, as taxas do lucro e as taxas de investimento estão em níveis elevados, e então não é nenhuma surpresa que a Bélgica esteja igualmente a registar excedentes robustos no seu comércio externo. Parece que Bélgica está a registar um excedente na sua balança de bens manufacturados que quase atinge os 10% do PIB. A Alemanha, o campeão das exportações mundiais, está a conseguir somente um pouco melhor, um excedente de 12% do GDP.
Obsessão com concorrência salarial: Quais serão os resultados?
Para concluir, a obsessão do governo belga com a concorrência salarial resulta numa combinação ( a mix) de políticas que é seriamente errada. Uma coisa é aplicar uma política fiscal responsável a fim de procurar enfrentar o nível elevado de endividamento do sector público, e este constitui certamente o calcanhar de Aquiles da economia belga.
Contudo, uma outra coisa é estar a abusar de uma situação de crise a fim de organizar uma redistribuição de rendimentos massiva dos salários para os lucros. A evidência económica mostra que não há nenhuma necessidade económica qualquer para se estar a querer fazer isto. Forçando ainda que aumentem os lucros para além do nível em que estão não faz nenhum sentido. Pelo contrário, fazendo-o assim, isto irá degradar as finanças públicas pois que os trabalhadores pagam impostos na base dos seus salários enquanto que as entidades patronais têm todos os meios à sua disposição para evitar pagar impostos a partir dos seus lucros, como se demonstrou amplamente e de novo com o escândalo em curso de “Lux Leaks”.
Uma coisa é certa: se o governo conservador escolhe permanecer surdo aos argumentos económicos dos sindicatos, a economia belga, sob o impacto combinado da austeridade fiscal excessiva e da austeridade salarial intensa enfrentará logo a seguir os riscos gémeos de uma depressão prolongada e de uma baixa inflação que rapidamente se transformará em deflação.
Ronald Janssen, Wage Cuts And Austerity Have Come To Belgium, Dezembro de 2014, publicado por Social Europe. Texto disponível em:
http://www.socialeurope.eu/2014/12/wage-cuts-austerity-come-belgium/
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Para ler a parte I deste trabalho de Ronald Janssen, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:





