EDITORIAL – NA GRÉCIA O “LIBERTADOR” SERÁ O POVO ELEITOR

A cultura não é só para alguns, é de todos e para todos. Nela, por logo editorialela e para ela, algumas pessoas acabam por ter determinada importância, pelas mais variadas razões. A arte tem sua primordial importância, porque condensa e antevê sentimentos gerais e porque neles pode ter interferência futura. Mikis Theodorakis e Pablo Neruda foram dois homens que disto são exemplo. Em dois continentes diferentes, trouxeram-nos a história e a força de dois povos – a Grécia e o Chile – em luta contra a ditadura.  

Theodorakis, considerado o renovador da música grega contemporânea, devido às posições políticas que tomou no seu país, em ditadura, foi preso e enviado para o exílio. Pablo Neruda poeta chileno, Prémio Nobel da Literatura e activista político. No Chile de Salvador Allende se encontraram, e nele Theodorakis conheceu a obra de Neruda, “Canto General”, que narra a epopeia dos defensores da terra americana e do povo indígena, obra é chamado por alguns “A Ilíada latino-americana”. Depois do golpe de estado no Chile, Theodorakhis compôs com o mesmo título, uma peça que fosse uma arma de luta contra as ditaduras. Posteriormente, na Grécia livre, já então livre, um concerto foi dedicado à memória de Allende, Neruda e a todos os que lutavam no Chile.

Uma das canções chama-se “Los Libertadores”. Hoje, na Grécia, se algo mudar, não será devido a um libertador. Será porque, no sistema democrático vigente, em que todos podem votar, quem o fez, decidiu que tal acontecesse. A caminho de um futuro diferente, desafiante, difícil, mas não submissão.

…“Éste es el árbol, el árbol/del pueblo, de todos los pueblos/de la libertad, de la lucha./Asómate a su cabellera:/toca sus rayos renovados:/hunde la mano en las usinas/donde su fruto pulpitante/propaga su luz cada día./Levanta esta tierra en tus manos,/participa de este esplendor,/toma tu pan y tu manzana,/tu corazón y tu caballo/y monta guardia en la frontera,/en el límite de sus hojas./Defiende el fin de sus corolas,/comparte las noches hostiles,/vigila el ciclo de la aurora,/respira la altura estrellada,/sosteniendo el árbol, el árbol/que crece en medio de la tierra.”…

 

 

 

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