O casal político Merkel-François Hollande, ou Alemanha-França, parece estar a querer dar tudo por tudo para evitar o pior nas relações entre o Ocidente e a Rússia de Putin, cada vez mais degradadas pelo recém-criado calcanhar Ucrânia. Move-o, ao que oficialmente faz crer, a procura da paz. Armada, já se vê, a única que o casal conhece, tal como o actual tipo de mundo que o pariu, o dos grandes grupos financeiros, cosidos de Medo. O próprio casal político, auto-designado para se encontrar ao vivo com Putin, representa o que há hoje de mais poderoso, de mais militarmente armado na UE. E não viaja sozinho. Com ele, como sua sombra, viaja também a Nato-EUA, com todo o seu arsenal militar, dispostos, todos, a calcinar o chão russo e a matar as respectivas populações, caso não encontre, da parte de Putin, toda a cooperação que, em seu arrogante entender, um vassalo deve ao seu amo. O casal sabe que a Rússia de Putin está a passar um mau momento. O frio mata que se farta. O desemprego, a fome generalizada, a morte prematura marcam tragicamente o quotidiano das populações. Enquanto o próprio Putin não hesita em desfazer-se politicamente de todos os opositores internos e externos. Nunca chegaremos a saber o essencial deste inesperado/desesperado encontro Putin-Merkel-Hollande. Sabemos, sim, que na Rússia, manda Putin. Na Alemanha-França, como na própria UE, manda Merkel. Dos três, o campeão, em tirania, em frieza cerebral, em ausência de escrúpulos políticos, é o anfitrião Putin. Perder, não é com ele. Para cúmulo, o casal político que avança ao seu encontro, ao calcanhar Ucrânia que criou, vê-se, agora, ameaçado por um novo calcanhar, o da Grécia do Syriza, resultante de eleições, segundo as regras do sistema democrático. Também em política, o desespero é o pior dos conselheiros. A UE está a correr contra o tempo e sabe que o tempo lhe é desfavorável. Se entra de rompante em Moscovo, pode muito bem sair de joelhos. Putin, politicamente assassino, é bem capaz de fazer refém o casal visitante, caso se sinta politicamente encurralado. Vem aí o apocalipse?!