AINDA A TURMA SÓ DE ALUNOS CIGANOS por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Os excluídos dos excluídos.

O racismo está à espreita, avança pé ante pé…..

As representações sociais que se formaram, sobre determinados grupos culturais, os ciganos, estão associadas a práticas reprováveis pela cultura dominante.

Os seus comportamentos, o seu modo de vida, os seus valores, as suas regras foram tidos como algo reprovável pela sociedade. Porquê? O que sabem sobre os ciganos?

Em Portugal os ciganos são portugueses, têm cartão de cidadão, mas continuam a ser ciganos…

Ainda há quem diga “um olho no burro, outro no cigano”. Porquê?

Do nascimento à morte os ciganos seguem as suas regras, chocando por vezes com as regras sociais, mas a sua herança cultural está-lhes colada à pele.

É sabido que casamentos e funerais duram muitos dias…e a escola?

Como deve lidar a escola com esta realidade? O aluno falta vários dias e a justificação que a família faz não é aceite. A família cigana vive, estes acontecimentos importantes, unida na festa e na dor. Será que não pode ser assim?

Hoje, os ciganos vão à escola, na esmagadora maioria das vezes não por vontade própria, mas porque são obrigados, pelo Rendimento de Inserção Social.

Não por vontade própria porque a cultura cigana transmite-se oralmente e não pela escrita, a liberdade que as crianças ciganas têm não é compatível com a disciplina na escola.

“O mê menino é muito pequenino para andar na escola”

Aos seis anos são pequenos demais e quando têm 10 anos já são grandes demais…

Com vivências tão diferentes da cultura dominante e da cultura de escola, não raras as vezes os ciganos são discriminados.

A escola tem vindo a fazer um caminho, com muitos obstáculos, para a inclusão dos alunos de outras culturas, nomeadamente a dos ciganos.

A escola, que o Senhor Ministro de Educação e Ciência pretende, vai excluir estas crianças, em vez de as incluir, de as respeitar na base do respeito mútuo.

Os alunos ciganos são os que maior insucesso têm, os que mais abandonam a escola.

Porquê? Os ciganos não têm menos capacidade para aprender do que os outros.

Como é que no século XXI ainda não se alteraram as representações sociais dos ciganos?

Os ciganos sempre foram um grupo não incluído, umas vezes porque não querem, outras vezes porque não os deixam.

Como se pode fazer uma turma só de ciganos? Foi claramente “esquecida” a coexistência entre as várias culturas.

Num país democrático, respeitador dos Direitos Humanos e dos Direitos da Criança, é inaceitável que ainda se compre “sapos de loiça” para afastar os ciganos, acreditando que os ciganos são “afugentados” pelos sapos. Há mais evidente atitude racista do que esta?

Uma rapariga cigana, de seu nome Maria, trabalhou durante muito tempo ao balcão de um café. Maria não apresentava sinais evidentes de ser cigana. Vestia-se como as outras raparigas, penteava-se como as outras raparigas, falava português, andou na escola, chegava e ia-se embora sozinha…até que um dia um tio foi lá falar com ela. O tio exibia todos os sinais evidentes de ser cigano, na roupa, no cabelo, na face…

Quando o tio saiu do café, o patrão chamou Maria e despediu-a” porque ela era cigana”.

Esta é uma história verídica.

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