EDITORIAL – O VOTO COM OS PÉS.

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O debate sobre as dívidas de Passos à Segurança Social é um marco na campanha eleitoral, embora ainda faltem tantos meses para as eleições, na medida em que dá uma antevisão do que vamos ter: um desfile de acusações e de escândalos, à laia de campanha, e uma enorme sensação de impotência da parte dos cidadãos, nomeadamente dos que ainda acreditam na democracia representativa, a levar a uma enorme abstenção, e à constatação (repetida, deve-se acentuar) de falta de respostas aos reais problemas do país, e pior, da falta de interesse por parte das camadas dirigentes pela resolução destes.

A aliança tácita entre o PS e o PSD (com o CDS a servir de muleta a um lado ou outro, conforme os interesses de momento) ameaça continuar ad æternum. Da capacidade (não será antes desinteresse?) deste bloco central (todo encostado á direita, como todo o bom centrista) para resolver os problemas dos portugueses, todos duvidam, mas o esforço que os seus representantes têm desenvolvido, no seu exercício do poder,  para barrar qualquer alternativa, nomeadamente a respeitante a uma participação maior das pessoas/cidadãos na vida política, criou no nosso país um grave vazio, que não será Marinho Pinto que conseguirá preencher.

É verdade que não é só Portugal que se vê a braços com este fenómeno, chamemos-lhe assim. A seguir, às 13 horas, publicamos aqui, em A Viagem  dos Argonautas, um artigo de Jérôme Leroy, da revista Causeur, na tradução de Júlio Marques Mota, que nos dá conta da situação em França. Traça o cenário do colapso do PS francês, obviamente derivado das suas políticas direitistas, sob Hollande/Valls, que ameaça ocorrer já nas próximas eleições departamentais, cuja primeira volta é a 22 de Março próximo.  Lá a grande ameaça é o avanço da Frente Nacional. Aqui, o do voto com os pés. No dia das eleições, a caminho da praia, a não ser que chova muito, e seja melhor ficar em casa a ver a televisão (telenovela, futebol, à noite talvez o resultado das eleições). No resto do ano, sobretudo os mais jovens, a caminho de outro país.

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