CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – PERDERIAM O PÉ – por Mário de Oliveira

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Os teólogos cristãos/não-cristãos e os filósofos são tendencialmente desonestos com a realidade, como todos os mais que integram as elites dos privilégios. Têm um viver paralelo ao das vítimas. Nunca esbarram com elas, apesar delas serem a esmagadora maioria da Humanidade. O seu acto de teologar/filosofar tem muito de masturbação intelectual. Só os favorece e aos demais das elites. São temidos, respeitados, premiados, contratados para universidades. As frequentes conferências que são chamados a pronunciar, contam sempre com a presença de muitas, muitos. Formam corporações ecuménicas que se defendem uns aos outros, elogiam-se, citam-se. Lidam com doutrinas, teorias, livros, tradições que herdaram dos antepassados. Nunca se atrevem a pôr nenhuma dessas crenças em causa. Por mais infantis, absurdas, que sejam. Sabem que, se o fizerem, trocam a sua reputação, a cátedra, a vida confortável de que desfrutam, por um quotidiano de conflitos, ataques, dissabores, desprezos, calúnias, ostracismos de toda a espécie. São frequentes em foruns com teólogos credenciados de outras religiões, com as quais não se identificam, nem um bocadinho, mas lidam uns com os outros com pinças, para, no final, continuarem hipocritameente amigos, a simular uma grande unidade na diversidade. No essencial que, para eles, é a sobrevivência de todas as religiões, estão sempre de acordo. Nenhum deles se atreve a dizer, com a frontalidade de Jesus Nazaré, que todas as religiões são más, a maior tentação para a Humanidade, sobretudo, para as maiorias mergulhadas em quotidianos de miséria, doenças incuráveis, estruturais becos sem saída. Sob a máscara da bondade, são os mais hipócritas dos seres humanos. O Deus de que falam, tu-cá, tu-lá, é uma criação deles, à medida dos interesses das elites que integram, nos antípodas das vítimas. Com as quais nunca se encontram. Perderiam o pé, ao terem de concluir que, afinal, não passam de cínicos bem-falantes, produtores, vendedores de ópio para as maiorias. Um crime sem perdão!

16 Março 2015

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