Violência é violência, seja quem for que a pratique. Por comodidade vão-se criando gavetas para a violência doméstica, para a violência contra as crianças, a violência de género, a violência contra idosos, a violência na escola, a violência no namoro….
Como se vê a violência não tem dono, tem pessoas agressivas/violentas que exercem o seu poder sobre os mais fracos para obterem algo, ou apenas para satisfazerem o seu ego, por não saberem conviver com a frustração nem com o não como resposta.
Chegam a casa, e no segredo das quatro paredes, agridem mulheres, crianças, idosos porque quem manda “sou eu”, porque “quem sustenta a casa sou eu”, porque a reforma da sogra não dá para os remédios dela, porque o sogro sofre de doença incurável…
porque a mulher estava no café, porque o filho estava onde não devia e até os cães e os gatos levam o seu pontapé.
Desta forma, as crianças aprendem, através dos modelos de referência, que a violência é aceitável e aprendem a guardar para si as suas emoções – por vezes guardam durante anos estas cenas de violência e convertem-nas em segredo.
Quem cresce dentro da barriga da mãe ouvindo-a chorar, sentindo-a cair, ouvindo os gritos do pai, .quem cresce num ambiente familiar, em que a violência espreita e a qualquer palavra, gesto ou atitude se manifesta com gritos, insultos, ameaças, bofetadas e pontapés…..quem cresce a pensar que se calhar a culpa é sua, quem cresce sem perceber porque é que a mãe deixa o pai bater nela e nos filhos, sem dizer nada.
A incompreensão fala pela revolta passiva ou activa e só as lágrimas falam…Os seus pequenos corpos dobram-se e cobrem-se de roupa para que não se veja as nódoas negras
Num estudo, intitulado “O que dizem as crianças sobre violência”, a maior parte das raparigas aceita que os adultos lhe batam porque se calhar eles têm razão, de quê, não sabem.
Quando adolescentes e mulheres vão-se tornando passivas e, quantas vezes cúmplices…
É difícil a vida, é desconfortável viver em cima da linha da violência e não conseguir dar o passo para o outro lado.
A violência vive-se, reproduz-se, aceita-se…
Quando de crianças passam a adolescentes e começam a namorar começam, também, a reproduzir as relações que conhecem em casa, a violência.
A diferença é que não vivem na mesma casa, o que deveria ser uma vantagem para a solução deste problema. Mas na verdade não o é porque, principalmente as raparigas, acreditam que tudo vai passar “ele estava chateado…”
Os rapazes são vítimas de um outro tipo de violência. As namoradas fazem-lhes ciúmes de propósito, em busca de mais atenção, agridem verbalmente, troçam deles, dizem-lhes que eles não são homens a sério…
A investigação tem revelado níveis perturbadores de violência nas relações entre os jovens.
Um estudo nacional que englobou 4.667 jovens entre os 13 e os 29 anos revelou que
25,4% dos inquiridos se consideravam vítimas, 31 % consideraram-se agressores.
Um em cada cinco jovens reconheceu ter sido vítima de comportamentos emocionalmente abusivos.
Em dez anos, a violência contra idosos aumentou 158%.
Os(as) idosos(as) são mais vulneráveis por causa do isolamento social e da doença, alzheimer, reumatismo, dificuldades motoras…da dependência, total ou parcial do agressor, para cuidados diários, como refeições, mobilidade e acesso a dinheiro e medicação;
A investigação revela que a maior parte da violência contra idosos(as) ocorre em casa, tal como se passa com as crianças.
Estas gavetas não foram ainda suficientemente abertas e o armário muitas outras para se abrir.
Porquê a violência?
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