CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – A SEMANA QUE DEUS MAIS VOMITA! – por Mário de Oliveira

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Entre os intelectuais do Ocidente, a teologia não goza de estatuto de dignidade. A generalidade deles passa bem sem ela. É, até, de bom-tom social, dizer-se agnóstico, ateu, indiferente. As próprias universidades e os media confundem teologia com religião/religiões, igrejas cristãs, santuários, peregrinações. Teologia? Já nem para serva da filosofia! A economia, as finanças, o poder político, respectivos partidos, enchem os espaços informativos que sobejam dos grandes espaços dados diariamente ao futebol dos milhões, rei-e-senhor nos grandes media. A teologia acaba, até, confundida com todas aquelas coisas folclóricas que clérigos, pastores, já em vias de extinção, insistem em realizar. Há também algumas crónicas semanais em jornais, assinadas por teólogos assumidamente cristãos, críticos o bastante, para atrairem leitoras, leitores, sem nunca chegarem a sair do politicamente correcto. Uma postura que Jesus, o do Apocalipse ou Revelação, lucidamente, classifica de “nem fria nem quente”. Que Deus que nunca ninguém viu e, escandalosamente, se nos revela nele, o maldito segundo a Bíblia judeo-cristã, vomita. Como vomita todas as religiões/igrejas cristãs, respectivos cultos, liturgias, ritos, catequeses. Neste particular, importa sublinhar que, se há semana, das 52 semanas de cada ano, que Deus, o de Jesus, mais vomite, é precisamente a “Semana santa”, ontem iniciada. Esta minha afirmação só nos soa escandalosa, porque caprichamos em ser analbetos em teologia, a de Jesus. O mais aonde chegamos é à teologia/ideologia do Mercado, pura idolatria, a mesma de todas as religiões, igrejas cristãs, respectivos teólogos. Deste modo, nascemos, vivemos, morremos sem nos desenvolvermos de dentro para fora como seres humanos. Cresce o Mercado, diminuímos nós, os afectos, a reciprocidade, a ternura, a liberdade, a maiêutica. Até o pão que comemos não passa de porcaria que nos reduz a coisas, lesmas, objectos. Sem causas. Sem projectos. Suicidas. No instante. Ou, mais sádico, lentamente.

30 Março 2015

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