A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Evolução na continuidade foi a expressão que Marcelo Caetano encontrou para tipificar a gestão que iria fazer da herança salazarista. Depois de ter alimentado a esperança numa “primavera marcelista” que viesse suavizar o rigor do inverno do Estado Novo, anunciou a tal evolução na continuidade, ou seja, cedendo aos falcões do regime, com o almirante Tomás como figura de proa, Caetano fez algumas mudanças cosméticas, mudando por exemplo a designação da polícia política e mudando também o nome do partido único – a polícia com a nova sigla continuou a prender arbitrariamente, a torturar e a matar; o partido, com o novo nome, continuou a ser o único reduto onde os salazaristas tentavam compatibilizar um corporativismo com ressonâncias fascistas com os anos 60 – coisa tão fácil de conseguir como procurar transformar o chumbo em ouro.