EDITORIAL – A GRÉCIA, A POBREZA E A POLÍTICA

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Ontem, 7 de Abril, numa conferência em Vila Franca de Xira, intitulada Pobreza – Crise, Futuro e Soluções, promovida pelo Observatório para a Inovação e Desenvolvimento Local (ver primeiro link abaixo), Alfredo Bruto da Costa referiu a importância do aparecimento do Syriza na vida política. Referiu a prioridade que o novo governo grego dá à defesa da dignidade do povo que representa, o ter conseguido que a discussão à volta da austeridade passasse do plano estritamente económico para o plano político e, também, que as negociações com as entidades credoras passassem a ser feitas ao nível de governantes e dirigentes, e não apenas ao nível dos técnicos que têm integrado as equipas da chamada troika. Convém recordar que Alfredo Bruto da Costa é um homem de enorme inteligência e dignidade, quem mais tem estudado o problema da pobreza no nosso país nos últimos quarenta anos, infelizmente pouco ou nada escutado pelos governantes portugueses. O seu ideário político e social, próximo do que se convencionou chamar catolicismo progressista, é bem distante do dos líderes do Syriza, pelo que as suas declarações em favor da acção do novo governo grego têm um significado especial. É o reconhecimento, por quem conhece a fundo o problema, de que um dos requisitos fundamentais para combater a pobreza, é dar poder, nos vários aspectos, aos pobres.

São grandes as incertezas, é verdade, sobre o futuro que está reservado à Grécia e ao Syriza. As pressões que recaem sobre o país e o seu novo governo são enormes, as divisões são grandes, e os governos em exercício nos restantes países da União Europeia temem sobretudo que os povos que controlam queiram seguir o exemplo da Grécia. Um sucesso, mesmo mitigado, do governo do Syriza e dos seus aliados constitui, do ponto de vista  deles, a maior ameaça que enfrentam, maior mesmo que o Estado Islâmico, o fantasma de Putin, a concorrência chinesa ou o avanço da extrema direita. Os Estados Unidos e outras potências alinhadas com o Ocidente afinam pelo mesmo diapasão.

Entretanto, as iniciativas desenvolvidas pelo governo grego, em vários campos, desde o desenvolvimento de contactos com a Rússia e outros países, até o insistir no pagamento pela Alemanha da dívida de guerra, avaliada em 278,8 mil milhões de euros, vão obviamente no sentido de negociar com as entidades europeias em pé de igualdade, e abrir perspectivas novas para o futuro do país (clicar no segundo link). Mas de particular interesse será a criação de uma comissão internacional, presidida pelo belga Éric Toussaint (clicar no quarto link), e patrocinada pelo Parlamento grego, presidido por Zoe Konstantopoulou, para uma auditoria à dívida pública do país, na sua maioria nas mãos dos países e organismos que formaram a antiga troika, mas também por bancos gregos e fundos-abutre. Recorde-se que em Portugal, quando levantada a ideia de uma auditoria à dívida pública, o então ministro das finanças Vítor Gaspar declarou estar fora de questão um apuramento de como se tinha formado a dívida pública do nosso país. Esta aliás continuou a crescer desmesuradamente, como é do conhecimento geral.

http://aviagemdosargonautas.net/2015/04/07/junta-de-freguesia-de-vila-franca-de-xira-observatorio-de-inovacao-e-desenvolvimento-local-sessao-sobre-pobreza-crise-futuro-e-solucoes-com-alfredo-bruto-da-costa-hoje-7-de-abril-as-21-ho/

http://www.esquerda.net/artigo/reivindicacoes-gregas-sobre-reparacoes-de-guerra-sao-estupidas-diz-ministro-da-economia

http://www.contra-xreos.gr/ksenoglossa-arthra/798-building-another-europe-the-time-to-act-is-now.html

http://cadtm.org/In-Greece-New-Commission-Will

 

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