Vivemos numa barricada ideológica entre a Escola para Todos e a Escola para Alguns.
A barricada é feita de crianças e de jovens que têm direito ao conhecimento. A barricada é inocente, espera que a escolaridade a que tem direito lhe proporcione um ensino para todos, espera que a aprendizagem seja feita ao seu ritmo, atendendo às suas especificidades.
De um lado da barricada a Escola para Todos não quer abdicar, e bem, dos apoios educativos, culturais (mediadores), de Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família, de TEMPO, mas do outro lado da barricada lançam-se setas certeiras e a Escola volta a ser apenas dos professores e dos alunos, porque os especialistas, de outras áreas da educação, implicam mais dinheiro, o que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) não quer “dar” porque acredita mais na economia do que na educação de um povo que já viveu demasiados anos de obscurantismo e que, por isso, ainda vai aceitando prepotências indignas de uma sociedade democrática.
Mais uma vez desafio o Senhor Ministro da Educação e Ciência a ir uma semana para uma escola, com resultados abaixo da média nacional, e sentir que a escola não é um compartimento à parte da sociedade, não é local só para se fazer exames.
A Escola não é um lugar onde os alunos deixam de ser as pessoas que sofrem as injustiças sociais.
As nossas crianças começaram a preocupar-se com o futuro dos pais ” mãe, já arranjaste emprego?”, ” mãe, estás triste porque o pai não tem trabalho?”. E o pai que não tem trabalho vai buscar o filho à escola, infelizmente não para o acompanhar, mas porque está em casa a deprimir pela precária condição de vida a que foi sujeito.
É assim, senhor ministro que as nossas crianças estão a viver este tempo.
João dos Santos dizia que ” O segredo do Homem é a própria infância”.
A infância que esta sociedade está a proporcionar às nossas crianças é feita de desconforto físico e psicológico, é feita de incumprimento dos Direitos da Criança, é feita de muito sofrimento, pois, cada vez que as crises económicas e sociais arrastam as pessoas para a pobreza, mais as famílias ficam infelizes, a mais violência doméstica as crianças ficam expostas e mais maltratadas são.
O que vai surgir de uma infância assim vivida?
Espero que surja uma nova escola onde não haja lugar para o cratismo…