CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – QUE NOS DIZ-GRITA O TERREMOTO NO NEPAL? – por Mário de Oliveira

quotidiano1

 

Ainda ninguém sabe, mas o número de mortos causados pelo terremoto no Nepal pode atingir, até, ultrapassar os 5 mil. De nossa casa comum, o planeta está a tornar-se o nosso cemitério comum. Ele são terremotos. Ele são guerras em múltiplas zonas do mundo. Ele são suicídios e assassinatos em série. Ele são acidentes aéreos e terrestres. Ele são pobres e pobreza em número cada vez maior. Ele são poderes que se têm por divinos, não olham a meios para se perpetuarem no domínio-controlo do mundo, contra os povos das nações, seus reféns. Temos hoje todas as condições para fazermos da Terra a nossa casa comum. Insistimos em fazer dela o nosso cemitério comum. Em lugar de cuidarmos de nós próprios, uns dos outros, do planeta, insistimos em cuidar das deusas, dos deuses, do grande Capital/Dinheiro, cada vez mais independente dos povos das nações, até contra eles. O genocídio é todos os dias, em todo o planeta. Pretender situá-lo, como faz o papa Francisco, neste, naquele país em concreto, é tomar a nuvem por Juno. Há cada vez menos inocentes, neste início do terceiro milénio do cristianismo. O planeta avança a largos passos para a implosão e continuamos a gastar fortunas só para manter as populações na alienação, na apatia, na miséria material e moral, na depressão. Amarradas a antipressivos que as deixam politicamente desmobilizadas. Fazemos de conta que não sabemos que as depressões prolongadas matam e levam as suas vítimas a matar. Já atingem, até, o próprio planeta Terra. O terremoto no Nepal vem gritar-nos que o planeta está deprimido. Doente. Há causas, causadores. Temos de procurá-las, procurá-los nas ideologias-teologias, nos sistemas. Urge pôr a nu Aquilo que está a levar-nos para o abismo. Deixarmos de apoiar quantos se prestam a servi-lo, para apoiarmos quantos politicamente o denunciam-lutam para o amarrar-neutralizar-extirpar das mentes das populações-povos das nações. É hora!

28 Abril 2015

P.S.

Chegado à Crónica 200, é tempo duma pequena pausa e de abrandar o ritmo na sua periocidade. A partir da próxima semana, conto reaparecer, mas apenas três dias por semana: às segundas, quartas e sextas. O meu beijo-abraço de presbítero-jornalista.

 

Leave a Reply