DIA DA GALIZA. “Os outros dias”- Ernesto V. Souza*

*(Ernesto V. Souza, argonauta, é responsável da seção “A Galiza como tarefa”)

Um dia da Galiza, inteiro, na Viagem dos Argonautas.  É imenso o prazer e a gratitude com que dizemos obrigado, obrigada toda a gente que participou e a que finalmente não poderá, por tempos ou tarefa (escrever não é doado) estar finalmente cá.

Um dia da Galiza, paralelo à Festa das letras da Galiza, ou Dia das Letras galegas, criado em 1963, durante o franquismo como homenagem e nos últimos anos, não neste, mais e mais convertido em festa popular.

O Dia da Galiza, nos Argonautas, a proposta de Carlos Loures, fez-se com a completa liberdade de convidar os amigos e com uma única condição. Cá não se homenageiam fascistas.

Trasladar os problemas da Galiza a Portugal, não faz sentido. E especialmente porquanto o problema real não é a figura proposta para homenagem, nem também não a sua participação política e intelectual na ditadura franquista, ou ainda a sua responsabilidade política em que o boa parte do galego de 1982 até hoje não fosse mais próximo do português.

Não, o problema não é este dia, nem o que fosse ou não fosse José Filgueira Valverde, por outra banda grande conhecedor da língua, da literatura cultura portuguesa e amigo de Portugal. O problema é o presente. O problema é que é um dia entre 365. Se fossem nossos todos os 364, não havia nenhum problema para homenagear Filgueira.

E desde logo, a ideia de instituições que teriam que ser Norte, em gastar o dia homenageando Filgueira, não parece não, no dia de hoje, o melhor sistema para lograr a unidade necessária, para criar o espaço comum de sonho, primavera e coletivo, que se necessita – como nunca – para um dia poder ter na Galiza mais esses 364 dias de normalidade.

É por isso que no Dia da Galiza, celebramos também os 364 dias por ano que os companheiros Argonautas, oferecem como espaço possível de escrita e comunicação a gente da Galiza.

Saúde e Terra!

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