EDITORIAL – O Dia da Galiza

image001Se no desenho de fronteiras, na formação de estados, a lógica prevalecesse em vez de circunstâncias históricas e de constrangimentos sociais, Portugal e Galiza estariam unidos, pois nada de verdadeiramente importante separa estas duas velhas nações europeias. Mas neste caso, como noutros,  prevaleceram as tais situações que, podemos considerar fortuitas, mas que foram decisivas. A separação ocorreu num quadro histórico complexo, onde a vontade dos povos não teve qualquer papel, contando apenas ambições de famílias e os vínculos de vassalagem próprios do feudalismo.

Voltamos a encontrar-nos numa situação em que a compartimentação cultural, social, política, dos povos, se torna mais difícil, pois aí temos uma globalização que dificulta a persistência de mitos e de versões românticas. O povo galego, mais tarde ou mais cedo, vai ter de decidir se permanece integrado num Estado onde o obrigam a renegar a essência da sua ancestral cultura, ou se opta por abandonar esse estatuto e por assumir a responsabilidade plena pelo seu devir.

Nós, neste blogue, não fazemos segredo de que, maioritariamente, apoiamos as causas independentistas, sobretudo a das nações oprimidas da Península que partilhamos. A independência da Catalunha, do País Basco, da Galiza, a restituição a Marrocos de Ceuta e Melilla e de Olivença a Portugal, parecem a muitos de nós condição essencial para que Espanha possa ser considerada uma nação honrada e digna de conviver pacificamente com os seus vizinhos.

Neste blogue, a maioria de nós pensa que o «Reyno» constitui um estado ilegal à luz do Direito internacional, pois uma transição para a democracia feita após a morte de Franco, ignorou o “pormenor” de que o derrube da República, instaurada por vontade expressa dos cidadãos, foi feito através de um golpe militar em que militares traidores e sem sentido de honra, invadiram o território e o mergulharam num pesadelo que iria durar quase quatro décadas. Estranho, contraditório, que se tenha querido construir uma Democracia, aproveitando a herança fascista. Hoje, dedicamos toda a edição ao país irmão, à Galiza. Temos a convicção de que a Galiza, mais tarde ou mais cedo, se reencontrará com a sua História, com a sua Cultura e com a sua Língua, com a nossa Língua.  Felicitamos o argonauta Ernesto V. Souza por este trabalho que nos está a proporcionar a leitura de artigos tão estimulantes e agradecemos a todos os que, galegos e não, estão a colaborar neste DIA DA GALIZA.

 

 

 

 

 

 

 

 

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