INOVAR OU MORRER: A GRÉCIA ESCAPARÁ AO NADA? – por AURAN DERIEN – I

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

mapagrecia

INOVAR OU MORRER: A GRÉCIA ESCAPARÁ AO NADA?

Apolo regressará à Acrópole!

escapar - I

Auran Derien, INNOVER OU PÉRIR : LA GRÈCE ÉCHAPPERA-T-ELLE AU NÉANT ? – Apollon reviendra sur l’Acropole ! 

Revista Metamag.fr, 13 de Abril de 2015

É possível que a coragem, que faz tanta falta aos funcionários ocidentais, irradie os novos responsáveis gregos. Virão eles trazer a luz económica ao mundo, neste século XXI, como o fizeram os filósofos gregos a partir de Heraclito? Um dos meios de comunicação social da Grã-Bretanha afirma que as novas elites gregas estudam a introdução de uma moeda paralela ao euro. Se isso se concretizar, enfim, a aurora voltará, depois da noite do obscurantismo que não cessa de ficar cada vez mais espesso, desde que Wall-Street inunda o mundo com a sua moeda de macaco[1].

Todas as condições estão reunidas

A população grega regressou à pobreza absoluta, como de resto todos os povos da Europa desde que os “banksters” tomaram conta do poder. Porquê deixarmo-nos morrer? O terrorismo económico funciona de acordo com a lógica do senhor e do escravo, tal como no-lo ensinou Aristóteles. O escravo é o único a poder alterar a situação se ele se revoltar; a revolta prepara-se e é necessário apoios para quebrar as cadeias do horror ocidental. A Rússia mostra que se pode instalar um novo sistema de pagamentos, independente do sistema actual gerido pelos “banksters”. A China ensina que é necessário bater sobre os pontos fracos, os quais têm a ver com a esclerose institucional da finança mundializada. A inovação no sistema monetário, a fiscalidade, a protecção social é a via a seguir, o que dará o exemplo à humanidade civilizada e encontrará os necessários apoios.

O problema grego levanta contudo a questão dos métodos crapulosos inerentes ao Ocidente. Os participantes de Davos, de Bilderberg e de outros lugares do impensável aplicam dois princípios: a corrupção e a ameaça. Na Grécia, deve ser também assim. Os novos responsáveis foram certamente ameaçados, eles, as suas famílias ou mesmo o povo inteiro, ao mesmo tempo que as contas bancárias ou outros activos se abrem aqui ou acolá se os gregos aceitassem o obscurantismo da finança que os destrói. Os novos líderes não têm outra possibilidade, se forem verdadeiras elites, senão a de  adoptarem os exemplos de Putin, da China, da França do General De Gaulle, da Índia de Gandhi contra os Ingleses, etc. Todos fornecem instrumentos para a resistência. Três inovações, em especial, esperam que os humanos se levantem contra a barbárie.

Três inovações fundamentais

1 – A moeda complementar

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Ensina-se, e com razão, que a moeda na sociedade cumpre a função equivalente à  que exerce o sangue para o organismo. No entanto, existe a teoria de moedas complementares, simplesmente a sua implementação simplesmente aguarda por melhores dias (Philippe Derudder e André – Jacques Holbecq: Une monnaie nationale complémentaire. Ed.Yves Michel, 2010). A altura parece ter chegado. A moeda social complementar para o Euro, que os gregos novamente poderiam chamar dracma, seria emitida pelo Estado e à altura das necessidades identificadas pelos projectos decididos. Seria gratuita, (isto não é geradora de juros) e de circulação forçada, permanente (não é uma dívida), electrónica e nominativa, não convertível e não especulativa (a última parte do livro citado formula em 55 artigos, as regras de implementação e de funcionamento desta moeda social complementar).

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Desde que Washington cortou a ligação entre a criação do dólar e as reservas em ouro, eles encheram o mundo de dólares-papel, dólares cuja emissão nada lhes custou, mas exigem que com eles  possam  pagar com as riquezas que vêm do trabalho de várias gerações. O endividamento da Grécia, como o da França e de outros países foi realizado em moeda de macaco, que, como a alquimia dos escroques do século XVIII, permite roubar aos gregos as suas praias, terrenos, hotéis e bens físicos (para não falarmos também do seu ouro). É legítimo e legal denunciar este roubo feito em quadrilhas organizadas e participar nos trabalhos de construção de um mundo seguro como se pretende fazer com O Tribunal Internacional dos Povos sobre a dívida, quando este declara que “qualquer dívida, sendo ilegítima e inexistente, deve ser revogada e cancelada imediatamente” (razões e deraisons da dívida. Centro Tricontinental. L’Harmattan, 2002).

(continua)

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[1] Nota de tradução. De Wikipédia: De acordo com os livros dos ofícios do século XII, Saint Louis teria atribuído aos malabaristas com   macacos o direito de pagar em caretas ou em magias de prestidigitação a portagem da Petit-Pont que liga a ilha de Notre-Dame àao bairro Saint-Jacques1.

Na Idade Média, todos os mercadores que passavam pela Petit-Pont para irem vender um macaco na Cidade, pagavam quatro dinheiros… mas se o macaco pertencesse a  um malabarista, este, fazendo dançar o seu macaco podia passar a ponte gratuitamente. Era admitido igualmente que os malabaristas sem macaco não pagariam este direito de portagem para as suas outras mercadorias, com a condição de executarem um malabarismo nà passagem. Estes “pagavam por conseguinte em moeda de macaco”

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Ver o original em:

http://metamag.fr/metamag-2826-INNOVER-OU-P%C3%89RIR–LA-GR%C3%88CE-%C3%89CHAPPERA-T-ELLE-AU-N%C3%89ANT-.html

 

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