EDITORIAL – Fugir à morte, vencer na vida.

 

logo editorialO primeiro-ministro  veio ontem pôr reservas à quota que a União Europeia fixou para o acolhimento de migrantes africanos em Portugal. Bruxelas quer distribuir pelos Estados membros 40 mil imigrantes e refugiados provenientes de África durante dois anos. Segundo essa proposta,  Portugal deveria receber 1700 migrantes, e um subsídio de 10 milhões de euros. O primeiro-ministro, embora não rejeite liminarmente a ideia, afirma ser preciso reformular a proposta.

Passos Coelho entende que é preciso ter em conta o desemprego que existe em cada Estado membro. Em termos económicos, a sua posição faz sentido, mas será que, neste caso, a solidariedade humana não deveria pesar mais do que a lógica fria dos números? Na realidade, não conseguimos concordar com esta gente, nem compreender os seus raciocínios – é como se fôssemos de espécies diferentes. Quando se fala de milhares de milhões gastos em ninharias, alude-se a verbas estrondosas. Ladrões de elevada estirpe, arrecadam fortunas e nada lhes acontece; os prejuízos de qualquer projecto falhado ascendem a cifras que transcendem a capacidade de compreensão dos pobre-diabos que só sabem trabalhar. Temos cerca de um milhão de desempregados – que peso tem mais dois mil?

Estamos perante uma catástrofe de grandes dimensões – em muitos países africanos, a barbárie colonialista foi substituída por uma barbárie autóctone, em muitos casos mais desumana – acossados por feras sanguinárias, por gente que invocando sabe-se lá que princípios, escraviza, assassina, viola, incendeia, extermina… Milhares de seres humanos lançam-se ao mar, pois todos os caminhos de fuga estão cortados. Indefesos, muitos morrem e os que sobrevivem deviam merecer respeito, solidariedade, apoio. Mas não – um político incompetente que, se não é corrupto convive muito bem com a corrupção, que tece elogios a Dias Loureiro, um dos responsáveis por um dos tais projectos, o do BPN,  onde se consumiram milhares de milhões de euros – “Conheceu mundo, é um empresário bem-sucedido, viu muitas coisas por este mundo fora e sabe, como algumas pessoas em Portugal sabem também, que se nós queremos vencer na vida, se queremos ter uma economia desenvolvida, pujante, temos de ser exigentes, metódicos. Exigente e metódico, Passos Coelho ajuda à reabilitação de pulhas, mas nega auxílio a desgraçados.

Passos Coelho quer vencer na vida.

 

 


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1 Comment

  1. Não seria pensável que os países europeus ignorassem a matriz judaico-cristã de onde nasceu depois o humanismo e o racionalismo. Depois de explorar África durante séculos, depois de alimentar ditaduras cruéis para continuar a explorar os seus tesouros, a Europa vai discutir migalhices? A Europa tem de se envolver em África com dinheiro, tem de pôr fim a ditaduras como a da Eritreia. O futuro da Europa está na África, mas agora para ajudar, desenvolver ajudas em troco de justiça e direitos humanos. São os Governos que têm de criar Ministérios dos Negócios Africanos.

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