Estou a pensar em si, e li esta notícia. O que permanece vivo depois de toda a nossa triste vida e Angústias é o Artista.
Aqui vai uma carta que fala do quarto que tanto amo. Quando voltar a Pascoaes, quero que me autorize a estar 5 minutos só n’aquela cadeira junto [à] lareira aonde esse extraordinário Artista Teixeira de Pascoaes, esteve tanta vez em repouso.
Recebi hoje, o livro, o “Sempre” encadernado p’lo nosso amigo António Guimarães, e nesta solidão extrema da Quinta das Carvalheiras aonde só tenho como calor Humano a minha Pintura, estou a ler o “Sempre”.
Que extraordinário Artista, que enorme poeta [é] o Teixeira de Pascoaes; vai ter muita importância na minha Pintura toda a leitura do “Sempre”.
João, grande amigo meu, desenhe e pinte, sou eu que vos [sic] peço.
Abraço do Manel [sic] D’ Assumpção
____________________
NOTAS
1 Procedi à normalização ortográfica da carta [que pertence ao arquivo da casa de Pascoaes, que João Vasconcelos (1925-1983), que Mário Cesariny conhecia por João de Pascoaes, herdou à morte de Teixeira de Pascoaes, em 1952], não se justificando neste âmbito uma transcrição paleográfica do inédito de Manuel D’ Assumpção. Manteve-se a pontuação original, apenas se acrescentado alguns pontos finais ou vírgulas, quando em falta e absolutamente necessários.
2 Manuel d’ Assumpção anexou à carta um recorte do artigo “A expansão do português no estado da Califórnia segundo o Prof. John Englekirk”, publicado no Jornal Letras e Artes, n.º 50, de 12 de Setembro de 1962.