EDITORIAL – GRÉCIA – AGORA, O REFERENDO

Imagem2

Alexis Tsipras é um democrata. E um político de primeira grandeza. Conseguir conduzir durante cinco meses a barca grega contra instituições, entidades políticas e estadistas especializados em fazer passar a defesa de  interesses privados por serviço público, e ainda estar de pé, mantendo o respeito de muita gente, é uma proeza de tomo. Há anos que defende a permanência da  Grécia na União Europeia e na zona euro, e tem procurado continuar a fazê-lo, mesmo contra aqueles que o atacam, acusando-o de violar as regras. Deste modo ele parece assim estar em sintonia com os seus compatriotas, para os quais, segundo um dos últimos inquéritos feitos pelo Eurobarómetro, pertencer à União Europeia (UE) significa em primeiro lugar, “a liberdade, de viajar, estudar e trabalhar em qualquer lado na União Europeia”, em segundo o euro, e, terceiro, evitar o desemprego.  No link abaixo, podem encontrar um artigo de John Hooper, do Guardian, com esta referência, e que diz também que, na  Grécia, tal como noutros países do Sul da Europa, sujeitos recentemente a ditaduras violentas, sentiu-se a adesão à UE como uma garantia para a manutenção da democracia. Especialmente na  Grécia a adesão terá representado uma garantia contra uma eventual ameaça da Turquia, sendo de recordar que este sentimento ainda não há muito foi muito acirrado, quando da constituição da república turca de Chipre (1974). Entretanto Hooper também refere a desconfiança com que são encaradas pelos gregos as instituições da  UE, nomeadamente a Comissão Europeia (72 % não confiam no organismo, contra 47 % na Grã-Bretanha, onde há tantos eurocépticos).

O referendo a efectuar a 5 de Julho poderá ajudar a clarificar as contradições que existem entre os gregos. Qualquer que seja o resultado, dará indicações a Tsipras e ao governo sobre o caminho a seguir. Só uma taxa de abstenção muito grande poderá pôr em risco o seu peso político. Piores vão ser as reacções dos responsáveis “europeus”, de Madame Lagarde e dos meios financeiros, cujos ressabiamentos, próprios de quem se sente posto em causa, vão causar problemas  cada vez maiores, antes e depois de 5 de Julho.

http://www.theguardian.com/world/2015/jun/26/greeks-mistrust-eu-ec-ecb-but-retain-some-faith-in-the-euro

2 Comments

  1. O Eurobarómetro é mantido pala Comissão Europeia. Como tal, os resultados devem ser encarados com a devida reserva. Em Portugal, o INE é mantido pelo estado. É o eterno problema das estatísticas…
    De qualquer modo, é de salientar que os números não dão uma visão simpática da Comissão Europeia (CE), pelo contrário. E pode-se acrescentar que, sendo os números provenientes de uma entidade mantida por ela, CE, não podem ser acusados de enviesados a favor dos seus oponentes. De modo nenhum…

Leave a Reply