No dia 4 de Julho de 1776, faz hoje 239 anos, foi publicada a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América. Foi, naquele final do século das luzes, um farol de liberdade que iluminou o mundo. Diz a Declaração – «a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros.» (…) «Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objectivo, indica o desígnio de os reduzir ao despotismo absoluto, assiste-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos Guardiães para sua futura segurança». Palavras sábias.
No entanto, em menos de dois séculos e meio, o capital de esperança criado pela nova Nação foi desbaratado e a luz cegante do american dream transformou-se num pesadelo, no buraco negro onde a liberdade e a democracia se são sorvidas para uma realidade paralela – «a realidade americana». A american way of life constitui um modelo implantado à escala global, dos cereais do pequeno-almoço até às séries televisivas e aos programas com que preenchemos os serões. Sentimo-nos como se deviam sentir os nossos ancestrais depois da ocupação romana da Península – obrigados a arranhar o latim e a adoptar hábitos e leis impostos por Roma. O Império Romano não durou eternamente, dissolvendo-se na sua degenerescência. Não há impérios eternos. Porém, duram sempre mais do que aqueles que lhes profetizam o fim. Duram sempre demais. Tal como os iogurtes, têm prazos de validade que não são observados. Sobrevivem à própria decomposição.
God Bless America* , é uma canção com música e letra do compositor Irving Berlin, criada em 1938. A melodia do judeu – russo é bonitinha, a letra é uma chachada,* mas faz vir as lágrimas aos olhos dos americanos. Talvez lhes evoque a América que um dia Thomas Jefferson e os seus companheiros de sedição sonharam…
Deus abençoe a América, pois não faltará por aí quem a amaldiçoe.
_____________
*”While the storm clouds gather far across the sea,\Let us swear allegiance to a land that’s free, \Let us all be grateful for a land so fair, \As we raise our voices in a solemn prayer. ” \God Bless America, Land that I love. \Stand beside her, and guide her \Thru the night with a light from above. \From the mountains, to the prairies, \To the oceans, white with foam \God bless America, \My home sweet home. “

Parabéns pelo editorial. Na questão da longevidade dos impérios, observo que todos trazem em si os germes da autodestruição. Ela se dá paulatinamente, sem que se perceba a olho nu, mas a débâcle se dá com a ascensão de outro império mais forte. Qual seria? O chinês, o alemão? O russo? Fica no ar a pergunta.Um abraço.