Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Europa: retoma ou mal-entendido
Jean-Luc Gréau, Europe: reprise ou méprise? Gare à l’optimisme prématuré.
Revista Causeur.fr, 2 de Julho de 2015
Raymond Barre tinha o hábito de infligir àqueles que o escutavam esta máxima repetitiva: “Os factos são teimosos. ” Tendo em conta a reacção dos líderes e os meios de comunicação social europeus face ao malogro do euro, seria mais justo dizer que “a ideologia é mais teimosa que os factos”. Em face desta lógica suicida que Éric Zemmour diagnosticou para a França e que parece também estar a funcionar no espaço europeu, contar-nos-emos em dizer: “Os números são teimosos. ” Os últimos dados das economias europeias, publicados a 13 de Maio, indicam com efeito duas tendências: uma melhoria marginal da situação global em primeiro lugar e, em segundo lugar, um mau comportamento do investimento mais ou menos geral.
Por uma vez, os meios de comunicação social dominantes não procuraram dissimular a mediocridade da situação francesa mascarada pelo número favorável de 0,6% de crescimento trimestral. Tinham razão: a decomposição do resultado é esclarecedora . Decomponhamos, por conseguinte, o crescimento francês do trimestre passado :
– 0,5% de variação de existências suplementares na indústria e na distribuição;
– 0,8% de contribuição do consumo;
– menos 0,2% para o conjunto dos investimentos (sob a rubrica “Formação bruta de capital fixo”);
– menos 0,4% para o impacto do comércio externo: baixa das exportações, aumento das importações.
Ao mesmo tempo, o sector privado ainda teria destruído 13.400 empregos durante o trimestre passado. Este último número, mais eloquente, confirma a estagnação da economia, com, uma vez deduzida a variação das existências suplementares, um crescimento de 0,1%…
Dêem-se ainda duas precisões necessárias aos meus leitores que não se banham diariamente no rio da análise económica. Primeiramente: o acto de vender ou de transportar é tomado em conta pela contabilidade nacional. Assim, quando a França importa mais para o seu consumo, a venda e o transporte dos produtos interessados entram no cálculo do consumo. Paradoxalmente, estas importações suplementares contribuem para o crescimento contabilístico. Em segundo lugar, o consumo do primeiro trimestre não foi assente na distribuição de rendimentos procedentes de novos empregos produtivos. Ora, tanto quanto as empresas não criarem novos postos de trabalho, o crescimento, por muito fraco que seja, está destinado a extinguir-se.
O mais surpreendente é que a baixa do euro e a dos combustíveis não dinamizaram as exportações e o investimento. Sobre os nove últimos trimestres passados (ou seja desde a queda do preço da energia e do enfraquecimento do euro), a França apresentou oito baixas e um só um aumento das variáveis em questão. Qual é então a palavra justa? Debilidade, languidez, ou antes necrose? A escolha é difícil…
Não há nada que chegue para o exercício de auto-satisfação normal do presidente e da sua equipa. Ninguém duvida que “mantenham a sua orientação ” para um futuro cada vez mais improvável. Mas os dados publicados pelos nossos vizinhos deixam-nos perplexos.
A zona euro inscreve-se em 0,4% contra 0,3% no trimestre precedente, graças ao valor apresentado pela França, de que se viu a sua fragilidade, ao valor apresentado pela Itália, positivo (0,3%) pela primeira vez desde há três anos, e ao valor de Espanha[1], (0,9%), que testemunha de uma retoma forte mas a partir de uma situação de depressão igualmente forte. Contudo, a Inglaterra reduziu [2](0,3% apenas) e a super-poderosa Alemanha desiludiu ( apenas uns tristes 0,3%).
A decepção alemã vem da fraqueza das suas exportações industriais para os Estados Unidos e a Ásia[3], mas também a mediocridade do investimento. Neste domínio, a Inglaterra está também a arrastar-se, com uma taxa de investimento das suas empresas entre as mais baixa dos grandes países da Europa. Por último, a Itália, que apresenta uma baixa de 30% do investimento em relação ao nível antes da Grande Recessão, espera-se uma nova baixa em 2015, anunciada pelos inquéritos efectuados junto dos chefes de empresa da península.
A decepção alemã vem da fraqueza das suas exportações industriais para os Estados Unidos e para a Ásia, mas também devido à mediocridade do investimento. Neste domínio, a Inglaterra está também a arrastar-se, com uma taxa de investimento das suas empresas entre as mais baixa dos grandes países da Europa. Por último, a Itália, que apresenta uma baixa de 30% do investimento em relação ao nível antes da grande recessão, espera-se uma nova baixa em 2015, anunciada pelos inquéritos efectuados junto dos chefes de empresa da península.
Para terminar, não esqueçamos a Grécia. Sem dúvida, com uma produção com muita dificuldade a ser superior a um quarenta avos da zona euro, poder-se-ia esquecer o caso helénico. Mas a magia diabólico do euro faz que este confeti económico valha tanto quanto uma grande economia. Enquanto que as negociações para o refinanciamento grego patinam e que o FMI toma disposições prévias para agir na hipótese de um incumprimento no pagamento daqui até ao próximo Julho, soube-se que a economia local recaiu (dois trimestre negativos consecutivos). Ao nossos amigos gregos está prometido um Verão quente tanto em sentido próprio como em sentido figurado.
Jean-Luc Gréau, Revista Causeur, Europe: reprise ou méprise? Gare à l’optimisme prématuré.
Agradeço a Jean-Luc Gréau e à direcção da revista a cedência e autorização de publicação do presente artigo.
E em correspondência trocada à volta deste artigo diz-nos Jean-Luc Gréau, no texto que mantenho em francês:
PS : les chiffres du deuxième trimestre publiés en août seront meilleurs. Reste à savoir comment l’imbroglio grec va tourner.
Raymond Barre avait l’habitude d’infliger à ses auditoires cette sentence répétitive : « Les faits sont têtus. » Vu la réaction des dirigeants et des médias européens à l’échec de l’euro, il serait plus juste de dire que « l’idéologie est plus têtue que les faits ». Face à cette logique suicidaire qu’Éric Zemmour a diagnostiquée pour la France et qui semble aussi à l’œuvre dans l’espace européen, nous nous conterons de dire : « Les chiffres sont têtus. » Les dernières données des économies européennes, publiées le 13 mai, indiquent en effet deux tendances : une amélioration marginale de la situation d’ensemble en premier lieu et, en second lieu, une panne de l’investissement à peu près générale.
Pour une fois, les médias mainstream n’ont pas cherché à dissimuler la médiocrité de la situation française masquée par le chiffre favorable de 0,6 % de croissance trimestrielle. Ils avaient raison : la décomposition du résultat est éclairante. Décomposons donc la croissance française du trimestre écoulé :
– 0,5 % de stocks supplémentaires dans l’industrie et la distribution ;
– 0,8 % de contribution de la consommation ;
– moins 0,2 % pour l’ensemble des investissements (sous la rubrique « Formation brute de capital fixe ») ;
– moins 0,4 % pour l’impact du commerce extérieur : baisse des exportations, hausse des importations.
En même temps, le secteur privé aurait encore détruit 13 400 emplois durant le trimestre écoulé. Ce dernier chiffre, le plus éloquent, confirme la stagnation de l’économie, avec, une fois déduits les stocks supplémentaires, une croissance de 0,1 %…
Donnons encore deux précisions nécessaires à mes lecteurs qui ne se baignent pas chaque jour dans le fleuve de l’analyse économique. Premièrement : l’acte de vendre ou de transporter est pris en compte par la comptabilité nationale. Ainsi, lorsque la France importe plus pour sa consommation, la vente et le transport des produits concernés entrent dans le décompte de la consommation. Paradoxalement, ces importations supplémentaires contribuent à la croissance comptable. Deuxièmement, la consommation du premier trimestre n’a pas été gagée par la distribution de revenus issus de nouveaux emplois productifs. Or, tant que les entreprises ne créeront pas de nouveaux postes de travail, la croissance, aussi faible soit-elle, sera vouée à s’éteindre.
Le plus surprenant est que la baisse de l’euro et celle des carburants n’aient pas dynamisé les exportations et l’investissement. Sur les neuf derniers trimestres écoulés (c’est-à-dire depuis la chute du prix de l’énergie et l’affaiblissement de l’euro), la France a affiché huit baisses et une seule hausse des variables concernées. Quel est alors le mot juste ? Asthénie, langueur, ou plutôt nécrose ? Le choix est difficile…
Il n’y pas là de quoi arrêter l’exercice d’autosatisfaction du président normal et de son équipe. Nul doute qu’ils « maintiendront le cap » vers un futur de plus en plus improbable. Mais les données publiées par nos voisins laissent perplexe.
La zone euro s’inscrit à 0,4 % contre 0,3 % le trimestre précédent, grâce au chiffre français, dont on a vu la fragilité, au chiffre italien, positif (0,3 %) pour la première fois depuis trois ans, et au chiffre espagnol1 (0,9 %), qui témoigne d’une reprise forte mais à partir d’une situation de dépression tout aussi forte. Cependant, l’Angleterre a ralenti2 (0,3 % seulement) et la surpuissante Allemagne a déçu (un malheureux 0,3 %).
La déception allemande vient de la faiblesse de ses exportations industrielles vers les États-Unis et l’Asie3, mais aussi de la médiocrité de l’investissement. Dans ce domaine, l’Angleterre est aussi à la traîne, avec un taux d’investissement de ses entreprises parmi les plus bas des grands pays d’Europe. Enfin, l’Italie, qui affiche une baisse de 30 % de l’investissement par rapport au niveau d’avant la grande récession, s’attend à une nouvelle baisse en 2015, annoncée par les enquêtes effectuées auprès des chefs d’entreprise de la péninsule.
Pour finir, n’oublions pas la Grèce. Sans doute, avec une production à peine supérieure au quarantième de la zone euro, on aurait pu oublier le cas hellène. Mais la magie diabolique de l’euro fait que ce confetti économique compte bien autant qu’une économie majeure. Alors que les négociations pour le refinancement grec piétinent et que le FMI prend des dispositions préalables pour agir dans l’hypothèse d’un défaut de paiement d’ici à juillet prochain, on apprend que l’économie locale a rechuté (deux trimestres négatifs consécutifs). Nos amis grecs sont promis à un été chaud, au propre comme au figuré.
________



