EDITORIAL – DAVID CAMERON ESTÁ CONTRA OS MIGRANTES/REFUGIADOS DE CALAIS, MAS NÃO SÓ.

 

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O drama que está a ocorrer no norte de França, nomeadamente junto a Calais, com grupos de migrantes/refugiados tentando forçar a entrada na Grã-Bretanha, é um dos problemas mais sérios que afectam a Europa e o mundo. Não é exagero de modo nenhum pô-lo ao nível dos causados pela entrada em vigor do euro, ou pela especulação financeira, e procura-se frequentemente relacioná-lo com o elevado desemprego que predomina em muitos países do nosso continente. É sempre oportuno recordar que as populações de vários países e regiões do nosso planeta, da África e da Ásia, têm tido as suas vidas altamente desestabilizadas devido a situações cuja génese, também sem qualquer exagero ou imprecisão, está intimamente ligada às sequelas do imperialismo, do colonialismo ou neocolonialismo. Elevado número dos seus cidadãos, talvez dos mais aptos e capazes de lutarem pela vida procuram outras paragens, procurando uma vida melhor para si e para os seus. A Europa constitui para eles uma meta a atingir, devido à imagem de paz, bem-estar e prosperidade que tem dado de si, sobretudo a partir do fim da segunda guerra mundial.

As afirmações de David Cameron vão no sentido de mostrar total intolerância em relação à entrada dos migrantes/refugiados no Reino Unido. Pode-se considerar que chegou ao inadmissível quando os classificou como “a swarm of people”, expressão com as implicações que podem apreciar nos dois primeiros links abaixo. Mas convém recordar que o primeiro-ministro já vem mostrando esta intransigência em ocasiões anteriores, nomeadamente em reuniões ao nível das instituições europeias para analisar a situação no Mediterrâneo.  E assinalar que o faz sobretudo por motivos de política interna. Com efeito, a xenofobia tem crescido no país, com reflexos no xadrez político. O crescimento do UKIP pode ser perigoso para os conservadores, e estas atitudes de Cameron podem-se explicar pela necessidade de convencer o eleitorado de que não precisa de votar em alguém mais à direita, para obter garantias contra uma eventual invasão de migrantes/refugiados.

As atitudes talvez se expliquem desta maneira que acabamos de referir, mas não se justificam de maneira nenhuma. Cameron tem mostrado falta de solidariedade, para com os migrantes/refugiados, e para com os outros países, tanto os de origem destes, como também para com os países europeus que os acolhem. Este pragmatismo (aqui seja perdoado um eufemismo) é altamente penoso para as pessoas afectadas, e não ajuda a resolver o grande problema que vai continuar a agravar-se. Dizer que se deve procurar resolver os problemas ao nível dos países de origem pode soar bem aos ouvidos, mas a brutalidade e a falta de escrúpulos têm predominado nas acções desenvolvidas e nas políticas preconizadas pelo Reino Unido, e pelo ocidente em geral, para com o chamado terceiro mundo, no passado colonial e na história recente, o que contribuiu decisivamente para esta fuga maciça de indivíduos e famílias, quando não de grupos mais alargados. É necessário começar por reconhecer esta evidência, para começar a ter resultados concretos e minimamente justos.

Propomos que acedam a estes links:

http://www.theguardian.com/uk-news/2015/jul/30/calais-migrants-make-further-attempts-to-cross-channel-into-britain

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4708285

http://www.publico.pt/mundo/noticia/um-jovem-morreu-no-canal-da-mancha-londres-e-paris-reforcam-seguranca-1703541

1 Comment

  1. E quantas infiltrações suspeitas? Como responder ao que pode, também, considerar-se uma invasão, pacifica que seja? A que dever-se-á a escolha da Europa para emigrar? Para o Sul de continente africano não seria muito mais vantajoso? O texto tem méritos mas analisa as coisas dum modo demasiado epidérmico já que estão em jogo um número demasiado de incógnitas. A existência dum estado muçulmano bem patrocinado para tribalizar o médio oriente, pode, ou não, fazer pensar que alguém gostará de fazê-lo chegar à Europa .CLV

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