Uma saída da Grécia do euro não é alta ciência – por Bill Mitchell II

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 (continuação)

 

O mapa localiza o Banco da Grécia, Banknote Printing Works (IETA) a 341 Messogeion Avenue, 15231 Halandri (Atenas).

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O Banco da Grécia tem uma página de informações, onde descreve a localização, funções e capacidades da – A Casa da Moeda Nacional – The Banknote Printing Works do Banco da Grécia.

Nós aprendemos sobre a sua história (construído em 1941) e por volta de 1947, realizou-se a produção de ” notas de  1000 dracmas (Série IV) e de cheques e outros títulos para o Banco e para o governo grego”.

Em 1971, o Banco da Grécia tornou-se o produtor com curso legal na Grécia (depois desta função ter sido  anteriormente da responsabilidade do Ministério das Finanças).

O Banco da Grécia diz-nos que, longe de ter destruído  as máquinas de impressão, a “Casa da Moeda Nacional”  foi organizada em conformidade com as normas da Europa Ocidental e foi equipada com máquinas do topo de gama  para a fabricação de moedas que não estão em circulação  e a cunhagem de moedas com curso legal, moedas comemorativas e de colecção, medalhas, etc. “

Ela mantém essas capacidades ainda hoje.

O Banco Central Europeu  diz-nos  – A produção e emissão de notas nos Estados membros da UE – que “Treze Estados-Membros da UE têm a sua  própria impressão de notas”, com “oito países”, incluindo a Grécia, a terem localizado o seu parque de máquinas  dentro do banco central.

Quando a Grécia entrou na zona euro, as funções da Casa da Moeda Nacional  mudaram apenas marginalmente. Agora produzem-se  notas e moedas de euro, entre outras coisas.

O Banco da Grécia diz  que:

As tarefas do Banknote Printing Works Department  são:

– imprimir as notas de euro após a aprovação do BCE.

–  cunhar moedas de euro  em nome do Estado grego e de terceiros, bem como séries de moedas e medalhas comemorativas.

– executar a impressão de trabalhos em nome do Banco, do Estado grego ou de terceiros, principalmente documentos referentes a questões de  segurança, tais como obrigações, títulos, Bilhetes do Tesouro Surety Bonds, bilhetes de loteria, passaportes, cartões de identificação, autorizações  de residência etc.

IETA tem “pessoal altamente qualificado e experiente”, “equipamento de topo de gama ” e “acesso a materiais de qualidade e recursos que garantem a alta qualidade dos produtos finais “.

Assim, apesar do que aos australianos foi dito  na nossa rádio nacional na outra noite, tudo parece indicar   que as ‘máquinas de impressão “estão totalmente funcionais e não foram” destruídas em  ” 2000 “ou, para o que aqui interessa,  em 2002, quando a Grécia, de facto, entrou na zona euro.

Mas voltemos  a 2011, pois houve uma história no Wall Street Journal (08 de dezembro de 2011) – Bancos Prep for Life after  Euro – que tem a ver com a  nossa história de hoje.

O WSJ disse que:

Alguns bancos centrais da Europa começaram a ponderar planos de contingência para se preparar para a possibilidade de que os países abandonem a zona euro ou de que a união monetária se desfaça inteiramente.

O jornal observou correctamente em relação à impressão de notas de euro, que o BCE “terceiriza o trabalho dos bancos centrais dos países da zona do euro”, que então,  ou imprimem a sua  própria  moeda  (como na Grécia) ou “terceirizam-na  a empresas privadas”.

O que é isto ? Outra impressão gráfica? Parece que mesmo se   o Banco da Grécia tivesse  “destruído” as suas máquinas de impressão, existem impressoras privadas actualizadas prontas para o poder fazer .

Em 18 de maio de 2012, o Wall Street Journal escrevia de novo  – – A Product Greece Still Makes: Money – dizendo que “a Grécia pode realmente imprimir o seu próprio dinheiro”.

Mas os trabalhos de IETA (Casa da Moeda) são também o de  imprimir documentos seguros, o que levanta  outra possibilidade. Enquanto as máquinas de impressão estão a trabalhar   até produzirem dracmas suficientes, a solução provisória poderia ser a de a imprimir comprovantes “vouchers equivalentes a moeda”, uma tarefa que IETA tem facilmente a capacidade de executar.

Assim, a logística de realmente criar os moldes  físicos parece ser banal e bem dentro da capacidade do governo grego se  eles forem forçados a sair da Zona Euro.

Também tem havido muita conversa sobre se os gregos têm ou não   a capacidade para gerir um swap de divisas. Mas há  apenas 15 anos que as nações europeias (e os seus bancos centrais) fazem  exactamente isso. A transição para o euro foi relativamente suave e a experiência incorporada de que a transição pode  certamente não estar perdida para o Banco da Grécia.

Eles já passaram do dracma ao euro – eles sabem todas as questões práticas, ainda que num ambiente não hostil, onde outros Estados-Membros estão a fazer a mesma coisa. Mas os princípios permanecem os mesmos.

As nações do euro, portanto, têm experiência prática com o tipo de legislação que seria necessário aprovar para a mudança de moeda se  realizar e da mesma maneira que o fizeram há menos de 15 anos atrás.

Eles já compreendem quais os processos que são necessários e as questões que possam surgir. Eles compreendem  que as pessoas podem ficar presas  em parques de estacionamento e as  máquinas automáticas de venda teriam que ser recalibradas, entre a miríade de conversões que seriam necessárias.

Ao exercer a soberania integrada na sua própria constituição, a saída de uma nação europeia leva a ter que  reintroduzir a sua própria moeda e imediatamente exigir que todos os impostos e outras obrigações contratuais públicas dentro da nação sejam denominados nessa moeda.

As operações estratégicas que acompanham este re-emissão realmente não nos dizem respeito. Claramente, uma operação secreta envolvendo um fim‑de‑semana, o anúncio de um feriado bancário e a imposição de controles de capital por um período estaria igualmente  envolvido.

O anúncio seria , então, que entrará em vigor no primeiro dia útil da nova semana .

A nova moeda teria poder legal  porque os cidadãos e as empresas  teriam que a utilizar  para pagar as   suas obrigações fiscais em curso.

O sector privado teria de adquirir essa moeda, independentemente de quaisquer decisões ou preferências que possam ter para com outra moeda com o qual pretendam fazer  reserva de valor.

Mesmo se houver uma segunda moeda de troca  ‘trading’ em uso, a moeda local estará sempre a ser procurada , desde que o governo nacional pode aplicar  as  suas leis fiscais.

Uma das principais deficiências das várias propostas de moeda ‘dupla’ recentemente apresentadas como uma forma de resolver a crise da zona euro é que elas ainda insistem que os impostos estatais  e os encargos sejam  pagas em euros, dando assim origem a uma constante procura de moeda euro à custa da moeda local.

Portanto, uma reforma que  o Governo deveria realizar  seria a de aumentar a estrutura de cumprimento das obrigações fiscais para alargar  a procura  relativamente à  nova moeda.

Os verdadeiros aspectos práticos  da criação da nova moeda (cunhagem de moedas e impressão de notas de banco) implicaria alterações mínimas porque, como observamos acima, os bancos centrais nacionais já são responsáveis por esta função.

Com um planeamento sobre um arco de tempo razoável e suficiente, as novas cunhagens  para as  moedas poderiam  ser estabelecidas logo no primeiro dia do novo sistema.

Existem diversas medidas provisórias, que podem ser utilizados e que permitem que os novos símbolos de moeda possam  ser produzidos em quantidades suficientes. Cupões seguros,  notas gregas em euros carimbadas, ou apenas o identificador  grego sobre as notas, podem servir  como medidas provisórias.

Quando os governos checo e eslovaco decidiram  abandonar a união monetária de curta duração no início de 1993, os movimentos da moeda transfronteiriças foram proibidos enquanto novas notas eslovacas foram emitidas.

vAs antigas notas de banco checas foram ‘carimbadas’ e estavam a ser utilizadas na Eslováquia até Agosto de 1993.

A questão mais importante é decidir em que a paridade da nova moeda será introduzida, em relação ao euro e a  outras moedas.

Os benefícios líquidos de sair da zona euro seria aumentados se as perdas incorporados no processo de redenominação e subsequente (esperada) depreciação também forem minimizados.

A opção preferida é a de que a moeda deve  flutuar completamente, ou seja, câmbios flexíveis,  mas alguns analistas têm argumentado a favor de ancorar  a nova moeda ao  euro, o que implicaria participar de uma nova versão do Mecanismo de Taxas de Câmbio (MTC II).

 

(continua)

Uma saída da Grécia do euro não é alta ciência – por Bill Mitchell I

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