MUSEU DO ALJUBE – A MEMÓRIA DO COMBATE À DITADURA por clara castilho

Museu do Aljube – Resistência e Liberdade é dedicado à memória do combate à ditadura e da resistência em prol da liberdade e da democracia.

O edifício do Aljube (do árabe “al-jubb” – poço sem água, cisterna, masmorra ou prisão) remonta ao período romano e islâmico, tendo sido quase sempre uma prisão: cárcere eclesiástico, prisão de mulheres e prisão política desde 1928 até 1965.

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Entregue, desde 2009, à Câmara de Lisboa, pelo então ministro da justiça, Alberto Costa, as obras de conversão do edifício em museu foram feitas com financiamento específico contraído pela Câmara no âmbito do programa de reabilitação urbana junto do Banco Europeu de Investimento.

Na visita ao museu não podemos ver os “curros”, 14 celas feitas à medida de um homem estendido ao comprido, onde o detido não tinha espaço para se mexer. O projecto de adaptação foi de autoria dos arquitectos Manuel Graça Dias e Egas José Vieira e o programa de conteúdos expositivos foi coordenado por uma comissão instaladora que convidou várias personalidades, representadas por António Borges Coelho, ele próprio um ex-detido no Aljube.

Agora, enquanto museu municipal, “pretende preencher uma lacuna no tecido museológico português, projetando a valorização dessa memória na construção de uma cidadania responsável e assumindo a luta contra a amnésia desculpabilizante e, quantas vezes, cúmplice da ditadura que enfrentámos entre 1926 e 1974.

Pretende valorizar as memórias comuns de resistência e evidenciar os principais traços do regime ditatorial que submeteu o nosso país durante quase meio século.

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Pretende dar a conhecer o silêncio em que todo um povo foi mergulhado, resgatando-o para ensinamento dos mais novos.

Pretende partilhar nos nossos dias aspetos das realidades então vividas, organizando-os de modo sistemático e rigoroso.

Pretende inscrever na vivência coletiva os valores das lutas travadas pela liberdade e pela democracia, com a firmeza da esperança num país mais livre, justo e fraterno.

Pretende patrocinar o resgate das memórias de luta e de sofrimento, evocando momentos duros e, também, momentos empolgantes da resistência, seguros da vitória que se haveria de alcançar sobre o arbítrio e a violência.

Pretende assumir a luta contra a amnésia desculpabilizante e, quantas vezes, cúmplice da ditadura que enfrentámos entre 1926 e 1974.

Pretende remar contra a corrente da desmemória organizada pelas ideologias dominantes nas sociedades contemporâneas.

Pretende combater essa fabricação de um “presente contínuo”, que torna fácil e eficaz a manipulação, a demagogia e o regressismo “invisível” às piores formas de opressão.

Pretende dar voz às vítimas e mostrar como é longo e difícil o caminho da sua reabilitação, impondo a verdade e o exemplo sobre o silêncio e o embuste.

Pretende honrar os resistentes que ousaram empenhar-se numa luta desigual e sempre ameaçada pela perseguição e pela prisão, pela tortura, pelo exílio, pela deportação e quantas vezes pela morte.

Pretende restituir a memória coletiva à cidadania, na sua pluralidade.

Pretende, em suma, assegurar que o nosso futuro não seja amputado do nosso passado.

O futuro cria-se no presente com a memória do passado”.

Daremos, posteriormente, informações sobre as exposições patentes.

Foi comigo comentado, durante a minha presença, que têm sido muitas as pessoas que o têm visitado, muitas vezes mais do que uma vez, para poderem absorver todo o conteúdo. Ex-presos políticos com descendentes que querem conhecer o local onde o seu familiar tanto sofreu.

Prevêem-se vários colóquios no anfiteatro, que abordarão temas relacionados com o conteúdo do museu. Ainda não possuindo uma forma de divulgação mais directa, tem que se ir vendo no site as notícias. Tentaremos estar atentos para podermos informar os nossos leitores.

Rua de Augusto Rosa, 42, 1100-059 Lisboa

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