A crise grega… Caderno de notas de um etnólogo na Grécia – por Panagiotis Grigoriou I

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

A crise grega … Caderno de notas de um etnólogo na Grécia

Uma análise social no dia a dia da crise grega

Panagiotis Grigoriou

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Tempo contado

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Nova campanha eleitoral grega, colocada sob o sinal do Golpe de Estado europeísta e permanente. A última lua cheia lua deste mês de Agosto… e de SYRIZA. Em duas semanas desde a adopção (anticonstitucional) do memorando Tsipras, os quadros e os membros do partido da ex-esquerda radical deixam então este partido aos milhares e milhares e pelas secções locais, departamentais, ou mesmo regionais… quase em bloco. Metamorfoses de Ovídio face ao vazio.

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Dança com …os lobos … e a imprensa neoliberal . Agosto 2015

Mais de cinquenta membros do Comité central de SYRIZA demitiram-se, entre os quais Katerina Thanopoúlou, Vice-Presidente da Região de Ática, responsável pelas questões sociais que os leitores assíduos deste blog já conhecem. Alexis Tsipras recompõe então … (com) os pedaços de SYRIZA a desfazer-se, uma derrota já moral e organizacional. “Tsipras dirige a dança”… acredita, no entanto, saber uma certa imprensa mainstream, depois de ter andado a dançar com os lobos autênticos do totalitarismo europeista, a marionete Tsipriota não é senão a sombra da sua metamorfose ovidiana. A hibris em directo.

SYRIZA II, às ordens do Império de Bruxelas como do de Berlim joga então a sua última carta: “jogar” as eleições legislativas contra a Democracia do referendo do 5 de Julho e do “NÃO” com 62% dos votos. Esta última pirueta é finalmente apenas um capítulo do livro negro dos memoranda desde 2010, e também, da situação de Golpe de Estado, reafirme-se, que se vive permanentemente … pobres vigaristas. A Assembleia nacional, é primeiramente ridicularizada no seu espírito assim como é, depois, nos seus estatutos, apesar da resistência de Zoé Konstantopoúlou, tendo dado à luz do que há de pior, ou seja, um memorando humilhante e neocolonial, daí esta pressa dos mestres (provisórios) do jogo: terminar com o “NÃO”, organizando eleições antecipadas para assim reescrever a história recente e sobretudo a de um futuro próximo.

“Estas eleições são um elemento da solução e não o problema”, declarou Angela Merkel, enquanto que para Jean-Claude Junker, “é necessário esperar que este voto venha reforçar o apoio dos Gregos ao acordo já assinado com os credores”. Os defensores visíveis do absolutismo europeísta não ignoram que o tempo lhes está finalmente contado e agem então na precipitação. A ditadura assim imposta à Grécia deve vestir o mais rapidamente possível a túnica da legalidade, como a… da esquerda. Tempo tão sujo, tempo mais incerto que nunca.

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Retours serrés. Ferry entre l’île d’Égine et le Pirée. Fin août 2015

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Debate entre Tsipras e Meimarakis. Imprensa de então. Fim de Agosto de 2015

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Por detrás das máscaras…a realidade . “Quotidien des Rédacteurs” de  26 Agosto

Para lá mesmo dos resultados do voto do 20 de Setembro, a hibris Tsipras, tal como o híbrido SYRIZA europeísta, conduz-nos inexoravelmente para a fase mais crítica da tragédia grega do momento. Nada mais será mais como dantes e tudo será mais dramático que anteriormente: As situações, as realidades, as mentalidades, os humores… ou até mesmo os rumores.

(continua)

Texto publicado pelo site greek crisis e disponível em:  http://www.greekcrisis.fr/2015/08/Fr0460.html

 

 

 

 

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