
O SILÊNCIO
Poema de Eugénio de Andrade (in “Obscuro Domínio”, Porto: Editorial Inova, 1971; “Poesia”, 2.ª edição, org. Arnaldo Saraiva, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 2005 – p. 164)
Dito pelo autor (in CD “Eugénio de Andrade por Eugénio de Andrade”, Numérica, 1997)
Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
ainda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
