
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
Poema: Eugénio de Andrade (in “As Mãos e os Frutos”, Lisboa: Portugália Editora, 1948 – p. 44-45; “Poesia”, 2.ª edição, org. Arnaldo Saraiva, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 2005 – p. 30)
Música: Fernando Lopes-Graça (ciclo “As Mãos e os Frutos”, 1959)
Intérpretes: João Rodrigues & Nuno Vieira de Almeida* (in CD “Fernando Lopes-Graça: Clepsidra; As Mãos e os Frutos; 3 Canções de Fernando Pessoa”, Tradisom, 2009)
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha,
derramava-se no meu. E eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.
Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
o mistério das palavras maduras
ou a brancura dum amor que nos prendia.
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até ouvir
o meu sangue jorrar na voz das fontes.
Nota: Os dois últimos versos da segunda e da terceira estrofes foram posteriormente modificado pelo autor, surgindo na edição canónica da poesia reunida (“Poesia”, Fundação Eugénio de Andrade, 2005) com a forma, respectivamente:
a brancura das palavras maduras
ou o medo de perder quem me perdia.
[e]
E longamente fiquei até sentir
o meu sangue jorrar nas próprias fontes.
* João Rodrigues – voz (tenor)
Nuno Vieira de Almeida – piano
Assistente musical – Fernando Serafim
Supervisão artística – Nuno Vieira de Almeida
Técnico de piano – Fernando Rosado
Coordenação executiva – José Moças
Gravado na Escola Superior de Música de Lisboa, de 3 a 15 de Agosto de 2009
Gravação, edição e masterização – José Manuel Fortes
