A relação entre eles era algo de especial.
Primeiro eram os “dois da vida airada” (Pedro e António). Poucos meses de diferença de idade, primos filhos de duas irmãs. Nem sempre este facto dará tal sentimento de união. Mas foi o caso.
Escolas diferentes, mas encontros de fim de semana, férias em conjunto. Os primeiros desenhos feitos juntos, as tentativas de lançar o pião, os brinquedos de madeira comprados nas feiras, a competição dos golos, os joelhos esfolados, o medo do escuro.
Os receios de serem chamados a ir fazer a “guerra nas colónias”, as primeiras consciências políticas, a frequência da Escola de Belas Artes, a alegria da Revolução dos Cravos. A participação cultural, cívica, política.
Sempre juntos, os manos, ou seja, os primos: o Pedro Monteiro e o António Castilho.
Depois passaram a ser ”Os três da vida airada”, com a entrada do António Folgado no grupo. Grupo que dividia ideias, dividia atelier, partilhava tertúlias, comezainas, viagens culturais ao estrangeiro, os desafios da profissão de professor. Aí se juntavam o Vitor Lambert, o Manuel Leite, o Carlos-Alberto Marques, o José Mouga. Horas e horas de conversas. Horas e horas de experimentações profissionais, artísticas, de preparações de exposições.
Até que o Pedro nos pregou a partida de nos deixar sem a sua presença. Mas deixando-nos os belos produtos dos seus traços certeiros, coloridos e ousados.
A ver na exposição MEMÓRIA DE UM OLHAR (Pedro Monteiro, 1954-2007), Palácio de Ribamar, Algés, 15 de Outubro a 1 de Novembro de 2015 (foto aí exposta)


