13. Caderno de notas de um etnólogo na Grécia- Primavera ambígua I

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Revisão de Flavio Nunes

 

Caderno de notas de um etnólogo na Grécia- Uma análise social diária da crise grega

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Segunda-feira 2 de Março de 2015 13.

 

13. Caderno de notas de um etnólogo na Grécia- Primavera ambígua

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A Primavera está quase a chegar.

 

A Primavera está quase a chegar. Os seus sinais tangíveis não enganam, como de resto os da Troika, nomeada agora “as instituições”. No entanto, toda a gente se atreve a dizer na Grécia, que desde o novo governo “não é, de todo, a mesma coisa que dantes ”. O último fim-de-semana era ainda suficientemente clemente para permitir aos ricos como a numerosos outros, encherem os cafés à beira mar ao Sul de Atenas, por exemplo.

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Ao sul de Atenas, 1 de Março

 

Na companhia do meu primo Cóstas e do seu amigo Arístos bebemos um pouco ao acaso , o nosso primeiro café com gelo da estação e, como de costume, o acontecimento foi suficientemente festejado. A mudança de estação e de situação política era evidente! “Vou, enfim, deixar de estar sempre a tirar dinheiro da minha última poupança para aquecer o apartamento. Porque a este ritmo e se não se alterar nada quanto ao trabalho ou no que se refere às ações prometidas pelo novo governo, a este ritmo então, no inverno próximo todas as minhas poupanças terão desaparecido e a nossa paciência com elas também”; explica então Cóstas. Como os seus rendimentos conheceram uma diminuição de aproximadamente 45% desde a crise, Cóstas interroga-se constantemente sobre as sequências lógicas ou irracionais. Certamente, não suporta a ideia do frio, tanto mais que ele e a sua esposa (no desemprego), tiveram o seu primeiro filho há pouco mais de um ano. Felizmente que o meu primo é o dono do seu apartamento, herdado dos pais, estes últimos, dos seus avós e outra parte da família incluída participa às vezes voluntariamente, em certas despesas da família. Tal é o sentido do último milagre grego, mais precário que nunca, fazendo assim manter alguns milhões de pessoas e também, num certo sentido, os desastrosos erros e cegueiras dos governos do memorando desde 2010 e isso, até às eleições do 25 de Janeiro passado. Para o meu primo, como para o seu amigo Arístos, não há nenhuma dúvida: O início do fim do governo Samarás – Venizélos foi concretizado pela aplicação da nova taxa imobiliária, ENFIA, aplicada fora de qualquer consideração quanto às capacidades reais de quase toda a gente.

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Perto de Atenas, princípio de Março 2015

 

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Perto de Atenas, princípio de Março em 2015

 

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Café com gelo perto de Atenas, princípio de Março 2015

 

Participando no clima suposto transitório, Cóstas, a sua família, os seus amigos, participam nesta benevolência ligeiramente triste e contudo de momento inabalável no que diz respeito ao governo SYRIZA, por quem, de resto, votaram. Os homens das sondagens pretendem que neste momento, uma hipotética nova eleição ofereceria a SYRIZA uma percentagem que excede um valor raro 42% de influência sobre os eleitores. Tal é a maior vantagem do partido da Esquerda radical e do seu aliado ANEL (partido soberanista de direita, dos Grego independentes) neste momento, e talvez a única. Porque este governo é muito combatido do exterior, bem como do interior do país, como nenhum outro partido desde há muitas décadas. Sem nenhum exagero, Aléxis Tsípras sublinhou aquando da reunião extraordinária do Comité central de SYRIZA que se realizou neste fim-de-semana último, que “desde o interior como, depois do exterior, tudo está já a ser preparado para fazer cair o nosso governo e também o país; tal foi o sentido da armadilha organizada durante as negociações havidas em Bruxelas. E nesta questão, o partido da Direita europeia, o da Nova Democracia de Antonis Samaras teve ativamente a sua quota-parte. Estas potências não desejavam que o exemplo grego tenha uma influência sobre os outros países, sobretudo na perspetiva das eleições em Espanha, previstos para o fim do ano, como em Portugal”. Declaração que provocou contradeclarações dos interessados: “Inigo Mendez Vigo, secretário de Estado espanhol para a União Europeia, afirmou do seu lado que a Espanha não é a inimiga de ninguém, bem pelo contrário, ela é solidária com o povo grego (…). Pedimos ao novo governo grego que seja responsável, porque consideramos que os problemas da Grécia não se resolverão com declarações mas com reformas”.

(continua)

3 Comments

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