OS NOVOS MIGRANTES –ESTES TRARÃO COM ELES O FASCISMO OU UM SUCEDÂNEO – por YVES- MARIE LAULAN – I

 

Laulan - IV

Selecção, introdução e tradução de Júlio Marques Mota

Angela Merkel - der spiegel  Laulan - ILaulan - IILaulan - III

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Os novos migrantes

Estes trarão com eles o fascismo ou um sucedâneo

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Yves-Marie Laulan*, LES « NOUVEAUX » MIGRANTS – Ils apporteront le fascisme ou un succédané

Revista Metamag.fr, 4 de Novembro de 2015

Laulan - IV

Em Outubro de 2015, nada menos de 218.000 migrantes vindos de todos os cantos do Médio Oriente e da África chegaram às margens da Europa. Mais um pequeno esforço e o pequeno milhão ardentemente reclamado por Angela Merkel, Mutter Merkel, será largamente ultrapassado.

O cenário do futuro é claro e límpido: a Europa vai viver sob uma ameaça demográfica pavorosa que se irá necessariamente concretizar nos anos próximos, mas de que já se distinguem as suas premissas. Os mecanismos demográficos são implacáveis. Impossível escapar. Porque os reservatórios humanos dos fluxos migratórios do século XXI são inesgotáveis: no Médio Oriente, calculam-se em dezenas de milhões; em África, centena de milhões.

Que fazem os governos europeus face à este desenvolvimento já bem previsível? Nada, nada a não ser prepararem as suas próximas eleições.

Que fazem os responsáveis da Comissão Europeia? Nada, a não ser separar estes fluxos compactos em fracções mais ou menos digestíveis destinados a ser engolidos à força ou por vontade própria pelos diferentes membros da União europeia.

Nunca a estupidez, a cegueira, a apatia da Europa e dos seus responsáveis terão sido iluminados por uma luz tão cruel.

Um fenómeno sem precedentes

Mas é necessário olharmos atentamente para o que se está a passar debaixo dos nossos próprios olhos. Porque assistimos sem estarmos a compreender, mudos, estupefactos e impotentes, a um acontecimento fora do comum, sem precedentes na história contemporânea da Europa (excepto os refugiados belgas em 1940 ou a cruzada dos Pastoureaux [1]no ano de graça. Isso acabou mal).

Pensemos quanto, há ainda cerca de alguns anos, era necessário em termos de documentos, de diligências, de papeladas para ir de um país a outro, passando uma fronteira: um passaporte que não tenha caducado, com fotografia que se parecesse e bem com o seu titular, que tivesse as dimensões regulamentares, frequentemente um visto, ou então um bilhete de identidade, válido, para os felizardos cidadãos da União Europeia. Às vezes certificados sanitários eram exigidos para se assegurar que o passageiro em questão não ia introduzir perigosas doenças na população do país. A isto acrescentavam-se os controlos minuciosos nas alfândegas para saber se não se transportavam substâncias perigosas com a própria pessoa, nas suas bagagens ou mesmo explosivos, metidos em inocentes tubos de pasta dentífrica ou até mesmo nas solas dos nossos sapatos.

Mas, desses tempos, todas as precauções são atiradas,  abandonadas e alegremente,  às águas dos rios. Verdadeiras manadas humanas em colunas apertados passam corajosamente as fronteiras da Europa sem estar a parar, de mãos nos bolsos e sem que se peça o mais insignificante documento de identidade.

Normal: são migrantes. Então, tudo é permitido. Assim o quer a ideologia ambiental. Um novo estatuto, o de “migrante que caminha”, é assim gradualmente criado. E autoriza tudo, compreende tudo, justifica tudo, sem restrição. Quem teria a coragem de os querer controlar ? Porque estes migrantes são, certamente, refugiados políticos eminentemente simpáticos e infelizes. À procura de liberdade política e de desenvolvimento espiritual. Querem escapar à opressão, à perseguição, à insegurança, nos seus países. Mas fogem também, e porque não, da miséria e da pobreza, sabendo bem que uma Europa complacente os espera no fim do caminho. Convém, consequentemente, acolhê-los de coração aberto e sem nenhuma reserva. De resto, têm esse direito. É o direito de asilo “espontâneo” derivado do direito de asilo legal.

Está-se aqui, com efeito, na presença de uma criação jurídica bizarra, de forma um tanto irregular, dada à luz por juristas e políticos simples há já alguns anos; não sabiam que estavam a dar à luz um monstro de contornos incertos. Este direito beneficia qualquer pessoa estrangeira que, sob os mais diversos pretextos, está no direito de reclamar o seu devido ao país que o recebe: direito ao acolhimento, ao alojamento, a um pecúlio, à Segurança social, à educação, à justiça. E, a prazo, direito à nacionalidade. E é tudo gratuitamente, sem qualquer contrapartida. Consequência evidentemente previsível: o número de requerentes de asilo aumenta fortemente de ano em ano para atingir proporções incríveis. Resposta do governo: reduzir os prazos de tratamentos dos processos. Ora, as recusas vão no momento aumentar o número os emigrados clandestinos que têm boas possibilidades de obter depois uma regularização administrativa alguns anos mais tarde. E a nora continua a dar.

Quem poderia agora negar que as nossas populações não têm inesgotáveis reservas de caridade cristã da mais bela água? Quem é que tem necessidade de Socorro Católico ou dos Restaurants du Coeur para nos recordar dos nossos deveres de seres humanos, membros inteiramente da grande família do homem? É suficiente desdobrar qualquer jornal diário para saber o que devemos fazer. E se não compreendermos a mensagem por nós mesmos, os nossos governos, as nossas inúmeras associações caritativas, os nossos generosos repórteres e jornalistas estão nas suas funções para nos lembrar do nosso dever humanitário. Ah mas!

(continua)

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[1] Da Wikipédia: Aquando da sétima cruzada, Louis IX da França (Saint Louis) conquista Mansourah. Mas o seu exército, vítima de uma epidemia de peste ou, de acordo com as últimas investigações, vítima de disenteria, de tifo e de escorbuto ficou apanhado numa verdadeira armadilha. Saint Louis é feito prisioneiro com dois dos seus irmãos em 1250. Esta notícia, quando chega ao Ocidente, provoca incredulidade e revolta. Como é um rei tão devoto pôde ser abandonado por Deus?

A resposta veio de pregadores populares, em especial de um certo Job ou Jacob ou Jacques, monge húngaro da ordem de Citeaux. Este monge carismático, alcunhado de “o mestre da Hungria”, pretende ter recebido da Virgem uma carta onde se afirma que os poderosos, os ricos e os orgulhosos, nunca poderiam reconquistar Jerusalém, mas que apenas os pobres, os humildes, os pastores o conseguiriam fazer e em que ele próprio deveria ser o seu guia. O orgulho da cavalaria, diz a carta, desagrada a Deus.

Na época , o termo « pastoureaux » designava os pastores, e deu-se este nome a este cruzada.

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Yves-Marie Laulan, Revista Metamag,  LES ” NOUVEAUX ” MIGRANTS  – Ils apporteront le fascisme ou un succédané. Texto disponível em :

http://www.metamag.fr/metamag-3328-LES–NOUVEAUX–MIGRANTS.html

 

Yves-Marie Laulan,  Président de l’Institut de Géopolitique des Populations

Organisateur du colloque “L’Afrique à 4,2 milliards de personnes au XXIe siècle

 

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