EDITORIAL – A (NÃO) DEVOLUÇÂO DA SOBRETAXA

 

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As demoras de Cavaco Silva em tomar a decisão sobre o novo governo, como seria de esperar, vão tendo efeitos.   O problema da demora do Orçamento de Estado para 2016 será o mais significativo, pelo menos do ponto de vista do funcionamento institucional. Para a imagem dele e do país, as demoras são muitos prejudiciais. Até porque se percebe que por detrás delas há, única e exclusivamente,  cálculos sobre a política partidária. Isto para não dizer que se está perante uma tentativa de a influenciar.

Sabe-se que o fim do ano vai ser particularmente  complicado, porque vai haver agravamento da situação financeira. A notícia de que a devolução sobretaxa vai provavelmente tender para zero é sintomática. Já sabemos que se vai tentar atribui-la à tentativa de formação de um governo de esquerda. Mas para além de relembrar que é preciso (da parte de todos os sectores) acabar com a tendência de fazer promessas excessivas (expressamente, usa-se uma expressão moderada) nas campanhas eleitorais, há que referir que, apesar de todos os problemas (BPN, BES, etc.) o sistema financeiro português continua sem a reforma profunda que precisa. Os comentadores e analistas próximos do anterior governo referem-se muitas vezes à questão do investimento. Fazem-no nomeadamente para exercerem pressão política, e é preciso recordar os casos do Novo Banco, que vai precisar de recapitalização antes do fim do ano, e de outras instituições bancárias, que vão continuar a pesar no bolso do contribuinte. Olhando às políticas que têm sido seguidas, no mandato anterior e não só, a não devolução das sobretaxas não será suficiente para cobrir os défices. E as demoras de Cavaco Silva só agravam a situação.

Propomos que leiam:

http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/economia/detalhe/contas_falhadas_anulam_devolucao.html

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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