AS ASSIMETRIAS REGIONAIS CONTRIBUEM PARA AS DESIGUALDADES DE PODER DE COMPRA ENTRE OS PORTUGUESES – por EUGÉNIO ROSA – I

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AS DESIGUALDADES ENTRE AS DIFERENTES REGIÕES E CONCELHOS CONTRIBUEM TAMBÉM PARA AS ENORMES DESIGUALDADES ENTRE OS PORTUGUESES

O INE publicou este mês – 9 de Novembro de 2015 – o seu estudo sobre ” O poder de compra concelhio”, que revela que as assimetrias regionais e as desigualdades entre os diferentes concelhos do país continuam a ser enormes, causando a desertificação crescente de muitas regiões e concelhos perante a passividade, para não dizer colaboracionismo, dos sucessivos governos que nada têm feito de concreto para inverter esta situação preocupante e criadora também de crescentes desigualdades entre portugueses. O quadro 1 mostra o que se verifica a nível das diferentes regiões do país:

Quadro 1 – Poder de compra médio de um habitante de cada região em percentagem do poder de compra médio de um português (Portugal) e em relação ao da região mais desenvolvida

desigualdades - I

As desigualdades de poder compra médio dos portugueses que vivem nas diferentes regiões do país são enormes como revelam os dados do INE. Por ex., o poder de compra médio de um habitante da Área Metropolitana de Lisboa corresponde a 125,13% do poder de compra médio per-capita nacional, ou seja, é superior a este em 25,13%, enquanto o de um português que viva na região do Alto Tâmega é apenas 71,4% do poder de compra medio per-capital nacional, o que significa que é inferior a este em 38,6%. O poder de compra per-capita da Área Metropolitana do Porto é superior em 5,07% ao nacional mas o da região Norte é já inferior em 7,97%, e o da região de Coimbra é também inferior mas em 4,6% ao poder de compra per-capita nacional; etc..

Mas as desigualdades de poder de compra médio entre os portugueses que vivem nas diferentes regiões do país, ainda se tornam mais claras e chocantes, quando a comparação é feita não com o poder de compra per-capita médio nacional, mas sim com o poder de compra médio de uma habitante da região mais desenvolvida do país, que é a Área Metropolitana de Lisboa (3ª coluna a contar da esquerda do quadro 1).

Assim, o poder de compra médio de um português da região do Alto Tâmega corresponde apenas a 57,1% (quase metade) do poder de compra per-capita de um habitante da Área Metropolitana de Lisboa; o da Área Metropolitana do Porto corresponde a 84%; o poder de compra per-capita da região Norte do país corresponde apenas a 73,5% do da Área Metropolitana de Lisboa. É evidente que as desigualdades de poder de compra entre os portugueses a viver nas diferentes regiões do país são muito grandes, o que contribui para a desertificação de muitas delas. E os sucessivos governos nada têm feito de concreto para inverter estas enormes desigualdades.

Os dados do INE constantes do quadro 1 (última coluna à direita) contêm outra informação importante, que é repartição/concentração de todo o poder compra nacional pelas diferentes regiões do país. Assim, de acordo com esses dados, 33,691% do poder compra nacional está concentrado na Área Metropolitana de Lisboa que é superior ao poder de compra de todo o Norte do país que representa apenas 32,164% de todo o poder de compra nacional. A Área Metropolitana do Porto tem apenas 17,542% do nacional, e a região do Alto Tâmega representa somente 0,625% de todo o poder de compra nacional. São números chocantes que mostram bem o desenvolvimento desigual do país na ausência de um plano de desenvolvimento nacional com o objetivo de combater as assimetrias regionais e promover o desenvolvimento equilibrado e sustentado do país, e na ausência também das regiões administrativas (regionalização) com poder efetivo para combater as graves desigualdades regionais. É o capitalismo  neoliberal defendido pelo PSD/CDS a funcionar em pleno. Os resultados estão à vista.

AS DESIGUALDADES ENTRE CONCELHOS

Os dados divulgados pelo INE permitem fazer uma análise mais fina, ou seja, por concelhos. E pelo facto dessa análise estar mais próxima da realidade, as desigualdades ainda se tornar mais claras e chocantes.

Como revelam os dados do quadro 2, a desigualdade entre o poder de compra do concelho mais desenvolvido – Lisboa – e o menos desenvolvido –  Cinfães-  é enorme . O poder de compra médio de um habitante do concelho de Lisboa corresponde a 207,9% do nacional, o que significa que é 107,9% superior ao poder de compra médio per-capita do país, enquanto o de um português do concelho de Cinfães corresponde apenas a 56,54% do nacional, ou seja é inferior ao poder de compra médio per-capita do país em 43,46%. Dos 308 concelhos que existem no país, em apenas 32 o poder de compra per-capita médio é superior ou igual ao poder de compra per-capital nacional; nos restantes 276 concelhos o poder de compra médio por habitante é inferior ao poder de compra per-capita nacional, e na maioria deles muito inferior.

Outro aspeto chocante de desigualdade entre portugueses é o que se verifica quando se compara o poder de compra médio de um português que viva no concelho de Lisboa com o poder per-capita de um português de Cinfães no Continente ou de Câmara de Lobos na R.A. Madeira. Segundo os dados do INE constantes dos quadro 2 e 3 (coluna 3ª a contar da esquerda), o poder de compra per-capita de um português que viva no concelho de Cinfães corresponde apenas a 27,2% do poder de compra per-capita do concelho de Lisboa, e o de Câmara de Lobos representa apenas 27,4%, ou seja, 3,6 vezes menos.

Finalmente os dados do INE constantes dos quadros 2 e 3 (ultima coluna à direita) também revelam outra realidade para a qual queremos chamar a atenção dos leitores que é a repartição/concentração do poder de compra do país por concelhos. No concelho de Lisboa concentra-se 2,991% do poder de compra do país, e no Porto 3,62%, enquanto no de Castelo de Vide 0,026% e no de Constância 0,035%. Para os interessados em conhecer o poder de compra per-capita do seu concelho, nos quadro 2 e 3 estão todos:

Quadro 2 – Poder de compra per-capita dos concelhos do Continente em percentagem do nacional e do concelho de Lisboa, e percentagem do poder de compra nacional que corresponde a cada concelho
desigualdades - II

FONTE: Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio – INE – 9.11.2015

(continua)

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Eugénio Rosa – Economista – este e outros estudos disponíveis em http://www.eugeniorosa.com

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