UMA NOVA VIDA PAIRA NO AR por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Uma nova vida paira no ar.

O Presidente da República deu hoje, 26 de Novembro, posse ao mais colorido governo desde 1975.

Passamos a ter uma ministra da Justiça preta (negra), para mim nem preta nem negra, as suas lágrimas são “água quase tudo e cloreto de sódio” como uma ministra branca. Por que faz correr tanta tinta o facto de ser uma mulher? É mulher e é preta, ponto final. O que deveria  fazer correr tanta tinta seria o facto de não haver ainda equidade de género, de origem cultural, de especificidades físicas…

Passamos a ter uma Secretária de Estado cega, sim cega e não invisual. Irá ser muito importante numa política de inclusão que está um pouco alheia da nossa sociedade. É Presidente da Associação de Cegos e Amblíopes (ACAPO).

Oxalá os comentadores políticos e os membros do Governo e do Parlamento comecem a ter consciência do que é ser diferente… comecem o sentir as diferenças não como um obstáculo, mas como uma “normalidade” para a qual temos a obrigação de criar instrumentos para a sua inclusão plena, desde que nascem. Só isto bastaria para uma revisão a nível dos ministérios da Saúde, da Educação, do Ambiente…

Temos um Primeiro Ministro de origem indiana, um secretário de Estado de origem cigana.

Devemos ter orgulho nesta opção de António Costa.

Estamos a percorrer, agora, mais um caminho saído do 25 de Abril!

Estou feliz, pois tive a oportunidade de ver cair a Ditadura e nascer a Democracia, tive a oportunidade de ver um Governo de e apoiado pela Esquerda.

O Parlamento foi renovado e tem mais qualidade política do que o anterior.

Mais uma vez ” o povo é quem mais ordena” neste país triste e pobre.

Espero que de todas estas mudanças saia uma Democracia mais sensível às questões sociais.

Que a Educação, a Cultura, a Saúde, a Habitação, a qualidade de vida sejam pensadas e legisladas a pensar em todos os portugueses para que haja “Liberdade a sério”.

Que a coesão social preencha o vazio em que vivemos, de uns contra os outros, que o anterior governo tanto fomentou: entre gerações, entre público e privado, entre ricos e pobres, entre escola pública e escola privada.

Uma nova vida paira no ar.

Viva o 25 de Abril, viva a Democracia e a Liberdade.

A idade média deste governo é por volta dos 50 anos, ou seja, todos educados já nos ideais de 25 de Abril de 1974.

Quem viveu oprimido antes do 25 de Abril de 74 lutou pela Liberdade assim o faça a geração que está no poder para quem o 25 de Abril é já um dado adquirido.

A democracia está implantada, agora é a vez de a deixar viver tendo por base a Inclusão.

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