ESTRANHA SENSAÇÃO DE ESTAR EM FESTA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Estranha sensação de estar em festa.

 Estranha sensação de que se abriu mais uma porta de Abril.

Estranha sensação de sermos ” A formiga no carreiro ia em sentido contrário”.

Estranha sensação “Traz um amigo também”.

Estranha sensação de poder acreditar, outra vez, que é possível mudar de rumo.

Desta vez não vai falhar.

A esquerda conquistou o poder de decisão.

Na Educação, a medida tão contestada pelos professores e pedagogos, o exame no final do 1º ciclo foi retirada.

Não posso acreditar, como vi nos jornais destes dias, que alguns professores, pais e alunos estavam desapontados com esta medida. Estiveram a estudar para quê?, como se o estudo tivesse em vista só o decorar para o exame!

O ex Ministro Nuno Crato tinha a compulsão de tudo avaliar, mesmo o “invaliável”.

Como se avalia numa grelha, de valores positivos e negativos, o esforço feito por um aluno, perdão, por uma criança para aprender o que vai ser avaliado?

Como se pode ser bom professor quando se treinam as crianças para o exame?

Os bons professores, como o  são  a maior parte deles, não tinham espaço nem tempo para perceber as pessoas que estavam dentro da sala: a criança que aprende e que tem direito a ser reconhecida pelos demais, a criança com dificuldades de aprendizagem que exige uma atenção e instrumentos específicos, (os amblíopes, os surdos, os mudos, os deficientes, os sobredotados, os maltratados, os infelizes, os que têm fome…) para se sentir capaz de aprender. Porque é que não aprende?

Senhores deputados entrem numa sala sobrelotada de adultos, ao fim da tarde, para aprender alemão. Experimentem saber quantas oportunidades têm para fazer uma pergunta, quantas vezes o professor não tem tempo para responder.

 Tentem saber se é fácil o professor ir até à vossa mesa para ajudar quem está com o dedo no ar. A dificuldade que os alunos têm para passar entre as mesas, sim porque também os adultos pousam no chão montes de sacos das compras, guarda chuvas, pastas do trabalho…

Pensem nos vossos filhos e vejam quão desconfortável é aprender no meio da desorganização de uma organização impossível, não há espaço, não há tempo senão para a ficha 24, que é como quem diz, para o modelo de prova que os alunos iriam enfrentar quando fossem fazer o exame do 4º ano, numa escola que não era a sua, numa escola com professores desconhecidos, que giravam pela sala, a ver se alguém copiava, na vã esperança de que estes alunos não fossem tentados a fazer trabalhos copiados da net.

Todas estas dificuldades não fizeram com que o Ministro de Educação Nuno Crato pensasse no mal que fazia à Escola Pública ao ordenar que as turmas tivessem 26 alunos…26 pessoas; ao ordenar exame igual para todos, mesmo para aqueles que tinham precisado de um outro ensino e que não o tiveram.

Na Constituição Portuguesa está explícito que o ensino é para todos, não só o direito e o  dever de matrícula, mas também o direito aos mesmos recursos que têm, como finalidade única, fazer crescer na escola as crianças e jovens no conhecimento, no espírito crítico, na cidadania, no gosto pela cultura para que amanhã sejam os portadores e continuadores da Liberdade, de uma vida melhor porque com mais conhecimento e mais justiça social.

O senhor ex Ministro quis, ideologicamente, fazer da Escola Pública a garagem do ensino.

A Valor da escola Pública soará mais uma vez, não a deixemos fugir.

Estamos de parabéns por ter havido coragem suficiente para mudar de rumo.

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