Estamos no fim de 2015, e como sempre, aceita-se que a passagem do ano corresponde ao fim de um ciclo, e ao início de outro. Acontece que nesta altura, no nosso país, as vicissitudes da política fizeram com que muitos de nós, com a tomada de posse de um novo governo, que promete (pelo menos fala-se disso…) ser diferente dos anteriores, não só do de Passos/Portas, tenhamos ganho a esperança de ver mudanças para melhor. Os acontecimentos das primeiras semanas do mandato não contribuíram para reforçar essa esperança. O caso BANIF veio recordar que o sistema bancário e financeiro precisa de grandes reformas, e as circunstâncias da morte de David Duarte (e de outros acontecimentos semelhantes) deixam bem claro que é necessário não desleixar os serviços públicos de primeira linha, e chamar a atenção dos seus responsáveis para as grandes falhas que continuam a ocorrer. No nosso editorial de hoje já chamámos a atenção para a necessidade de não deixar que a intenção de inverter as políticas de austeridade fique apenas no papel, ou nos discursos.
Entretanto, aproximam-se as eleições presidenciais. Parece ser generalizado um sentimento de alívio por ver chegar ao fim os consulados cavaquistas, sentimento que sabemos ser compartilhado por muitos dos que votaram no (ainda) presidente da república. Para traduzir em termos práticos, de maneira positiva, esse sentimento e outros que influenciam os portugueses, no sentido da participação na vida política, deve-se ter presente que as eleições de 24 de Janeiro, para escolher o novo presidente, têm uma grande importância para a vida de todos nós. Em Outubro passado decorreram eleições legislativas, com resultados a partir dos quais se formou o novo governo. Sendo diferentes as funções do presidente, é muito grande a sua influência na vida do país. O acompanhamento de perto das campanhas que já decorrem no terreno (o período oficial é de 10 a 22 de Janeiro), a compreensão das ideias que animam todos os candidatos, e a percepção dos compromissos políticos de cada um deles, são essenciais, e não apenas o voto na urna no dia aprazado. Havendo um candidato que muitos deram como vencedor à partida, é preciso pôr em causa essa situação. Não para dar a primazia a outro, mas haver garantias de que se procurou efectivamente escolher o melhor, com o nosso país numa situação tão difícil. A comunicação social, como sempre, terá um papel essencial, sendo de lhe exigir o acompanhamento adequado e imparcialidade, para o que é necessário isenção e muita competência, para além dos meios necessários.