Senhor doutor Cavaco:
Daqui a um mês fica-se a saber quem é o novo inquilino do palácio. Mas Vosselência terá de ficar por mais alguns dias. Todavia, e caso assim o entenda, estou pronto a indicar-lhe uma brigada1 que o ajude a arrumar os papeis e a embalar os tarecos. Eu, como muitos outros, só quero o seu bem e tudo farei para que volte à sua amada marquise da Travessa do Possolo, no mais curto espaço de tempo possível.
Além do mais, a sua vida de inquilino do palácio presidencial é, agora, um tremendo aborrecimento. Passa-a a fazer despedidas. E quantas mais faz mais se fica a conhecer a sua tremenda malvadez e quão odioso é o seu carácter.
Foi o que aconteceu na sua despedida do Conselho da Diáspora. O senhor falou e disse: “A governação ideológica pode durar algum tempo mas faz estragos na economia e deixa facturas por pagar.”.
Os seus amigos presentes bateram palmas, trocaram sorrisos e os espertos em descodificar o seu pensamento (?) logo vieram clamar que Vosselência estava a dar mais um recado ao governo do radical António Costa.
Costa que, como sempre faz questão de sublinhar, só é primeiro-ministro com a cumplicidade do PC, Bloco e Verdes e porque o senhor doutor a isso foi obrigado pela “malvada” Constituição da República.
Ora eu interpreto os seus ditos no dito Conselho como um verdadeiro tiro no pé. E explico: foi o governo do qual Vosselência foi mãe e pai que altíssimos danos fez na economia do país. Provam-no:
– Um desemprego recorde;
– Uma dívida pública acima das nossas possibilidades;
– E, por ora que se saiba, uma factura de TRÊS MIL MILHÕES para pagar.
Uma factura que somos obrigados a liquidar por um Banif que há muito estava falido e que apenas se manteve de pé por puro interesse eleitoral dos seus amigalhaços Coelho & Portas2.
Não, senhor doutor Cavaco, não é “a governação ideológica que faz estragos na economia e deixa facturas por pagar.” A falta de seriedade é que faz estragos na economia e deixa facturas por pagar.
E como Vosselência bem sabe alguns dos seus mais dilectos amigos têm fortes culpas nesse cartório, mas para não o maçar apenas lhe relembro dois: Oliveira e Costa e Dias Loureiro.
Senhor doutor Cavaco o seu tempo, que foi muito para “um génio da banalidade” como disse Saramago, chegou ao fim. Agora, aproveite o sossego da sua marquise, goze a sua parca reforma e deixe-nos em paz. Definitivamente em paz.
Mas atenção: caso compre um novo “Citroen”, com o dinheiro ganho com a negociata das acções do ex-BPN, tome só o rumo da sua vivenda na Aldeia da Coelha. Nós agradecemos.
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