O SENHOR MORGADO por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Se ia votar Marcelo não foi porque ele era o vencedor anunciado, se não ia votar Marcelo não foi porque ele era o vencedor anunciado. “Quero lá saber, são todos iguais!”

Assim reagiu 50% da população, no dia das eleições. Vivemos em democracia, mas cada um quer saber de si…

O que se aprendeu nestes 40 anos de Liberdade? Nos últimos 4 anos voltou-se a aprender, isso mesmo, ” são todos iguais”. Todos iguais em quê? A roubar. E não é verdade? não para todos, mas para muitos dos que estão no poder é verdade, sim senhor. Eu quero viver sem me aborrecerem, já basta a tão  falada crise.

Este é o senso comum, não dos 50% que não votaram, mas de muitos deles. Há quem não queira votar porque não é republicano, porque não é democrata, porque não sabe em quem votar, porque….porque….

Mas quem vota tem opinião!

Como importante são todas as decisões de voto, não acredito em campanhas vergonhosas contra candidatos. Estamos no espaço público e, por isso, todos têm o direito ao contraditório. O que se pensa dos outros candidatos deve ser revelado, para bom esclarecimento entre todos. Se forem injúrias há o tribunal, se forem, nem que sejam meias verdades, há o voto. É assim que funcionam as campanhas eleitorais.

Estas eleições foram reveladoras de um povo que se move num caminho da procura do diferente.

Veja-se os votos em “Tino de Rãs”. Quem votou nele não foi porque tivesse sido” tonto”; não teria sido porque quer a mudança, mas não sabe qual, nem como? não teria sido porque  não percebe, muitas vezes, o sentido das palavras dos candidatos mais letrados, mais citadinos?

Vitorino     pareceu não saber o significado da palavra             , mas isso não significou que não soubesse o que queria.

O que queremos é uma escola Pública para todos para que os tinos de rãs tenham mais vocabulário, pensamentos mais elaborados, sabendo transmitir bem o que querem para que todos vivam melhor. É perigoso, não é?

Veja-se os votos em Maria de Belém. Muitas foram as motivações sem ingenuidades, mas o certo é que muitos votantes queriam a mudança de género na Presidência da República.

O que queremos é uma Justiça para que todos e todas saibam que tanto homens como mulheres têm a mesma legitimidade de ocupar qualquer que seja o cargo político, social, profissional. O que queremos é uma escola Pública para todos para que todos saibam viver em cidadania e não para a cidadania. É perigoso, não é?

Os votos em António Nóvoa quiseram expressar que queriam um voltar de página, queriam um candidato de esquerda e culto, sabedor de causas e de lutas pela Liberdade, pela Igualdade e pela Equidade. A mudança do bolor pelo arejamento de ideias. É perigoso, não é?

E Marisa? Quem votou Marisa votou também pela mudança de género na Presidência da República, votou nos afectos, votou pelas pessoas, votou pela vida boa a que todos aspiram. É perigoso, não é?

Marcelo ganhou à primeira volta, como tinha sido anunciado desde o dia em que ele ainda não se tinha candidatado. Os comentários durante dezasseis anos na TV venderam bem o produto, às cegas. Será catavento, será pirilampo, será pinguim, como lhe chamaram durante a campanha?

Não me cabe afirmar ou negar, pois não são adjectivos presidenciáveis. Marcelo jogou na proximidade e no afecto e os cidadãos votaram na mudança de um estilo seráfico para um estilo afectuoso, com promessa de TV Belém.

Quem sabe se o seu hino não poderá ser  “O SENHOR MORGADO” de Adriano Correia de Oliveira.

O querer a mudança está espelhada na distribuição dos votos pelos inúmeros candidatos.. Porquê esta proliferação, porquê este senhor comentador de televisão a que todos chamam professor e que não deixou história no seu partido? Eis uma pergunta que nos deve inquietar durante mais cinco anos. É perigoso, não é?

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