O drama do afluxo dos refugiados que procuram atravessar o Mediterrâneo para virem fixar-se na Europa parece agravar-se cada vez mais. Com destaque para a Alemanha, vários países estão a avançar com medidas que, se forem aplicadas na íntegra, implicarão a expulsão de grande número das pessoas que já receberam ou estão em vias de receber. Para onde serão estas pessoas encaminhadas? Para os países que deixaram, porque a vida que neles tinham era insustentável? Entretanto, são cada vez mais os refugiados (já ninguém lhes chama migrantes) que perecem afogados na travessia, e a comunicação social dá-nos outras notícias aterrorizadoras, como a relativa a 10 mil crianças, já registadas como entradas em países europeus e que são dadas como desaparecidas. O que lhes terá acontecido?
Estamos sem dúvida perante o mais grave problema humanitário dos últimos tempos. Grave pelo grande número de pessoas afectadas, mas também pela incapacidade (não será antes desinteresse?) que parece predominar a todos os níveis, a começar pelas mais altas esferas, de onde poderiam dimanar as medidas susceptíveis de resolver, ou pelo menos atenuar os horríveis conflitos e as situações de opressão, miséria e doença que dilaceram as zonas do globo de onde provêem tantos fugitivos. Porque de fugitivos se trata. E há razões para crer que os que conseguem chegar às praias da Europa são os dotados de mais recursos. Os mais desprovidos não conseguem sequer deixar os locais de onde são originários e enfrentam vidas sem qualquer horizonte, em desespero completo. São facilmente convencidos a aderir a religiões que preconizam a salvação, nesta vida ou noutras. E facilmente aderem ao caminho da violência, quando manipulados por pessoas sem escrúpulos. Não será descabido recordar que na Europa e na América também cresce o número dos que manifestam revolta perante a chegada de tantas pessoas, porque temem que venham ocupar postos de trabalho ou consumir recursos que para eles escasseiam.
Temos líderes europeus, como por exemplo Angela Merkel, que de início mostraram vontade de que se proporcionasse um acolhimento condigno aos refugiados, mas que entretanto parecem ter recuado nas suas posições poucos meses passados. Após um intervalo em que passageiramente se quiseram revestir de uma aparência humanitária, para lançarem um manto sobre a vergonha das políticas de austeridade, e fazerem esquecer a cena ultrajante do ultimato à Grécia, criando assim em muitos sírios, afegãos, iraquianos e outros a ilusão de que talvez fossem bem vindos neste velho continente, voltaram à prepotência de sempre. Com gente assim a mandar, que se preocupa sobretudo com défices orçamentais, resgates bancários e cotações bolsistas, e sobretudo com as suas carreiras mesquinhas, em vez de pensarem na vida das pessoas, como não se há-de temer catástrofes cada vez maiores?
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