A IDEIA – Textos e escolhas de António Cândido Franco- «O Café Gelo» – por Liberto Cruz

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A minha chegada ao Café Gelo deu-se num dia de Outono de 1954, levado pela mão da chuva. Andava no 1.º ano de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa e, como vivia em Sintra, apanhava o comboio na estação do Rossio. Seguia um dia pela Rua 1º de Dezembro quando uma forte chuvada me obrigou a entrar no Café Gelo. Gostei do ambiente, tomei-lhe o hábito e, no regresso das aulas, o Café Gelo passou a ser uma paragem obrigatoriamente agradável. Frequentei-o, com interrupções, entre 1954 e 1958, dado que costumava encontrar-me, por vezes, com o Edmundo de Bettencourt, o Raul de Carvalho, o Ernesto Sampaio e o António Osório, no Café Martinho. Passados quase sessenta anos não me é possível dizer, com exactidão, como comecei a camaradagem e o convívio no Café Gelo. Quando por lá me demorava, o José Carlos González, o José Sebag, o Manuel Simões, o João Rodrigues, o Herberto Helder, o António Salvado, o António José Forte, o Helder Macedo (de quem o M. S. Lourenço dizia: este tipo anda sempre com uma cara de quem achou um Planeta), o Luiz Pacheco, o Mário Cesariny e outros, cujos nomes agora não recordo, eram parceiros certos em horas diversas.

O Manuel de Castro tinha uma postura diferente dos demais. Quando eu o conheci, achei-o Imagem1 demasiado angustiado para a idade que era então a nossa. Pouco convivi com ele mas a sua morte trágica e prematura não me surpreendeu.

Lembro-me de dois episódios que valeria a pena recordar se alguém os conservou na memória ou se guardou os folhetos então publicados. Referia-se um aos cineclubes e outro aos Portelas jornalistas. Infelizmente, tantos anos depois, não consigo reconstituí-los.

LIBERTO CRUZ

Lisboa, 1 de Janeiro de 2015 

 

 

 

 

 

 

 

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